A estranha vida de um sonhador

Atualizado: Out 9


A vida ora traz eventos que desaguam em oportunidades e, ora traz ações onde nossas ambições e sonhos convergem e se realizam. Mesmo que, em outro momento, o planejamento não aconteça. São as tais conspirações universais que nos levam ao almejado sucesso.

Acho que foi assim que ocorreu comigo.

Um dia falei para meu pai que queria aprender a tocar violão para tocar na missa. Alguns anos depois estava dando aulas de violão erudito. Estudei tanto e me dediquei tanto que toquei em missas pelo Brasil inteiro durante anos. Me profissionalizei em um trabalho que para todos é relacionado a talento e sorte. Tanto que a maioria dos que tocam algum instrumento musical considera a atividade como hobby. Eu, na verdade, ao notar o prazer imenso que tocar me proporcionava, resolvi viver da música e conquistei o mundo com um violão no colo. Mas o amor pela leitura e livros seguiu paralelo. Tenho quatro tias professoras de língua portuguesa. Graças a esse parentesco, cresci rodeado de livros e aprendi a dar um valor inestimável a eles. Pequeno, já tinha lido todos da série Vaga-lume. Lembra? Marcos Rey era meu escritor favorito. Uma tia, a Regina, percebendo meu interesse me fez ler alguns clássicos, Machado, Veríssimo, etc. Meu primeiro livro de presente foi Papillon e depois um dicionário. Mas ainda a música era o filão principal, a fração maior de minha atenção. A literatura era a paixão platônica, a amante. Vez ou outra ganhava um concurso de frases, um de poesias, redações. Gostava de escrever, mas não me imaginava escritor. Até que muitos anos depois, já estabelecido na música, comecei a escrever um livro. Era um trabalho de faculdade. Mas ficou grande demais e se transformou no Conspiração Nazi. Rapidamente, consegui vender a pequena tiragem e até fui parar em um stand na Bienal do livro de São Paulo em 2016. Infelizmente, a editora que produziu o livro não acreditou no potencial de vendas do livro. E aconteceram situações inversas. Eu, na correria para divulgar o livro acabei abrindo caminho para a editora. Os booktubers que faziam resenhas para mim, logo em seguida eram contactados pela editora para fazer resenhas de outros livros. Foi um momento que percebi que estava sozinho. Que tinha um bom produto, mas não tinha distribuição ou meios para aumentar o alcance das vendas. A editora era focada em poesia e em trabalhos de autores em domínio público, não estava interessada em atingir o público de meu trabalho. Apesar de gostar muito dos donos, notei que ali não daria mais frutos. E deixei acontecer. O que o futuro me reservava?

Como nunca penso pequeno e sempre me preparo para o futuro, comecei a analisar o mercado e descobrir qual o perfil de meus leitores e se seria possível viver da literatura. Descobri que o mercado é imenso. Apesar de todos os problemas que podemos ter: Sim é possível viver de livros. Escrevendo, revisando, fazendo palestras, etc. Existem cursos de leitura criativa, escolas, faculdades, etc.

Agora diga para mim, que vivi do Violão Erudito no País do Carnaval, do Funk. Viver da literatura é impossível? Não, não é! Acredito muito no potencial do meu trabalho. Consegui mais de mil curtidas em minha página do Facebook no boca a boca ou no tecla a tecla. Ainda não sei bem o que houve. Mas há um problema, meus livros esgotaram. Minha ambição? Viver de inventar! Inventar contos, personagens, situações, histórias, emoções, sentimentos. Viver da literatura, das palavras, dos livros. Criar um mundo onde as pessoas possam se refugiar. Dividir com meus leitores minhas opiniões, reflexões. Mas como em uma conversa de bar. Sem soberba, sem verdades absolutas. Só viver o momento entre o derrame da cerveja no copo e o primeiro gole. Se nesse momento em uma gota de suor do copo uma vida inteira acontecer em um mundo microscópio bem. Se não, amém. Mas sobretudo, quero me divertir!

O sonho? Não sei... mas acho que está se realizando!

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