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A prisão da memória


Foto de Saksham Ganwar (unsplash)

Caio não conseguia dormir, fazia praticamente um mês que dormia 2 até no máximo 3 horas por dia. Não sabia o que fazer com a insônia, nem com o velho tarja preta pegava no sono. Todo o dia era o mesmo sonho, na praia com sua falecida esposa, sempre antes de beijá-la ele acordava. Trabalhava de segunda a sexta, das 8h às 17h. Todo dia seguia o mesmo ritual, chegava do trabalho, fazia um café e fumava um cigarro, jantava, ia dormir.

Achava estranho não se lembrar de como foi a morte da mulher, como se sua memória tivesse apagado. Falou até com um colega de trabalho, o Adriano: “Adriano, cara, meus dias parecem todos iguais. Acordo, tomo banho, tomo o mesmo café da manhã, café e pão com queijo, vou para o trabalho, volto, janto, assisto alguma série e depois durmo. Minha vida é em looping.”.

Seu colega calmamente como um velho sábio o disse: “Você precisa se libertar, és muito preso a pequenas coisas, apegado à sua esposa, precisas desapegar, para de fato ela descansar.”. Então confuso com o que seu colega disse, saiu do trabalho e seguiu para casa, onde fez tudo do mesmo jeito, mesma rotina. Nem percebia que o cigarro, comidas e bebidas nunca acabavam.

Resolveu fazer algo diferente, pontualmente sempre chegava em casa depois do trabalho às 17:30, como morava perto, foi para a praia. Caminhou alguns quilômetros e viu uma luz cálida branca, cada vez que se aproximava, mais a luz se transformava em um vulto humano, até que com a proximidade começou a se parecer com Raquel, sua finada esposa, até que percebeu que era realmente ela.

O pôr do sol estava quase no seu fim, o céu se apresentava em um tom Roxo Púrpura, andou até ficar na distância de um abraço, ela abriu os braços em uma ação sugestiva e ele a abraçou. Raquel falou: “Esperei por esse momento, todo esse tempo enquanto você dormia, estava com saudade.”. Então pasmado ele disse: “Onde você estava? Você é um fantasma?”. Raquel com toda serenidade respondeu: “Você precisa acordar.”.

Então aconteceu o que nunca acontecia nos sonhos de Caio, se beijaram. Abrindo os olhos, uma luz forte o encandeou, percebeu que estava em um hospital, olhou sua mão, estava enrugada como se tivesse envelhecido anos.


 

Sobre o Autor:

Hugo Britto, nascido em Recife no dia 15/03/1985, tem formação em Engenharia, mas é apaixonado por Literatura. Começou a escrever por razões da militância socialista, e a atividade se tornou um Hobbie. Hoje escrevo mais poesias, folhetins, Contos e ensaios (Filosofia, Sociologia).



 

Revisão: Jázino Soares

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2 Comments


Aline Amorim
Aline Amorim
Mar 15, 2021

Muito bom! O final foi inesperado! Parabéns!!

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Parabéns pelo conto! 👏🏼👏🏼👏🏼

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