As filhas das Plêiades

Base Woman − Herbus, Plêiades − Tempos atuais.

Centro de Bases para a recepção de progenitoras de todas as galáxias para fecundação não voluntária de novos líderes universais.

— Comandante!

Kibuk virou-se para olhar para a sua assistente, ela era um comandante-chefe de uma expedição de controle de natalidade em Herbus. Crianças só eram geradas para um determinado propósito específico, fecundação de óvulos modificados, programados, nano tecnologia.

— Olá cara Orbis. Como andam os relatórios?

— Olá comandante Kibuk, pelos relatórios atuais, a tiragem foi excelente como sempre, tudo está na mais perfeita ordem, acompanhe-me, por favor.

As duas saíram da sala da Base e se dirigiram para um enorme corredor com espelhos, nos quais só se podiam ver de dentro para fora. Tudo na Base era projetado com alta tecnologia, portas se abriam lendo o DNA de quem passava por elas, tudo digital, tudo com apenas toques. A Base era como uma gigante colmeia, existia uma Rainha e suas operárias, cada qual em sua hierarquia.

— Orbis, quem é aquela operária sentada sozinha?

Orbis abriu uma tela num painel no corredor e, imediatamente, acessou um laser secreto em direção à pessoa escolhida pela comandante, a seguir vieram os dados de Krishna, uma antiga guerreira, agora operária na Base de Herbus.

— De onde ela veio?

— Uma aldeia chamada Traves em Memphis. A ancestralidade da jovem é de uma antiga guerreira. Com os nossos novos métodos conseguimos adaptá-la para o cargo de operária produtiva. O processo não foi tão fácil, devido a sua força e determinação.

— Muito bem! Mas fique de olho nela, no momento sei que está sob o efeito de sedativos, mas com o passar do tempo ela irá recordar em pequenos fleches as suas vidas passadas. Cuidado!

— Sim senhora! Vou ficar alerta.

— Vamos para a sala de controle de natalidade, a maternidade.

Descendo por uma plataforma automática, foram para outro ambiente, o berçário, onde ficavam as operárias preparadas para a inseminação. Havia dez prontas no total, todas em macas especiais, estavam para ser operadas e recolherem os seus fetos. Cirurgiões cuidavam para que tudo saísse perfeito, fetos novos, nova remessa. Herbus, na verdade, era uma fábrica de crianças com DNA programado, modificado em partes, para serem enviadas para outros planetas e galáxias como cobaias, experimentos, ou para virem a ser grandes líderes.

Ambas, Kibuk e Orbis, fizeram junta a inspeção de todo o trâmite pessoalmente, para que nada saísse errado. Jamais poderiam deixar escapar um feto que não estivesse em condições perfeitas. Exatas.

Toda a Herbus dependia da rigidez do alto controle de qualidade, vários aliados de outras dimensões ou planetas dependiam da perfeição dos fetos. Cada qual um ser específico para uma missão, um novo líder.

Enquanto isso, no salão das operárias, houve uma energia descontrolada momentaneamente. Guardas com armas de impacto a laser se prontificaram para descobrir o porquê do pequeno descontrole, mas nada encontraram e tudo voltou à calmaria.

— Ei, você sentada. − Perguntou Jefthis, uma operária mais antiga na Base, para um ser sentado sozinho. Parecia desconectado a tudo em sua volta. Era Krishna, chegara recentemente.

— Ela veio ontem. — Respondeu Nethis, outra operária. — Não a incomode, está sobre efeito de sedativos, nem deve saber onde está. Pobre ser.

— Eu sei, só estou testando. Sempre arrumam mais alguém e isso me preocupa, com o tempo vamos ser eliminadas igualmente as anteriores. Nosso destino vai ser traçado em breve. Seremos pulverizadas.

— Calma companheira, somos muitas, como saber quem elas levarão daqui? Para onde será que as levam? Outro planeta? Ou estrela? Pulverizadas?

— Nunca ninguém descobriu, apenas desaparecem. É melhor pararmos de conversar sobre isto ou as guardas ficarão desconfiadas, nossa aura muda de cor conforme mudamos ou acentuamos a nossa vibração.

De repente, um som invade o ar. Toque de recolher. Contagem. Todas têm que se dirigir para os seus aposentos em calmaria. Com todas em seus devidos lugares, portas se fecham de forma automática e o silêncio reina. Uma guarda passa de porta em porta com um aparelho lendo o DNA de cada uma que está dentro do aposento, se certificando que tudo está perfeito. Todas em seus aposentos deitam conforme a lei regida pelo local, para refazerem de suas energias descansando. No entanto no quarto wxz25, Krishna se debate em sonhos turbulentos, pesadelos na verdade.

Assim que se deitou, Krishna entrou em estado zen. Em pouco tempo passou a ver imagens de mulheres guerreiras há muito esquecidas, como num filme antigo, começou a perceber que eram de épocas e lugares remotos. Primeiro, viu uma mulher vestida em couro de animal, com outros semelhantes à sua imagem sentada em torno de uma fogueira. Logo após, viu-se em uma montanha, sentada em cima de um camelo com vários fardos pesados, para onde se podia olhar só se via areia, estava com semelhantes à sua imagem. Depois começou a ver várias cenas de conflitos, ora ela segurava uma lança, ora uma espada, batalhas épicas e guerras infinitas, tudo muito confuso e com fortes sentimentos de revolta, muitas mortes e sangue derramados em diversas ocasiões. Acordou confusa, abriu seus olhos e começou a sentir uma onda em seus ouvidos, não sabia o que era aquilo, sons e frequências vinham de diversas direções, cruzando em seu cérebro com infinitas imagens e significados sem compreensão. Dor e lamentos.

Eram as outras mulheres na Base, ela estava sentindo as suas dúvidas e seus medos sombrios. Compreendeu que ela não iria fazer parte daquilo que havia sido programada para fazer e começou a arquitetar um plano de fuga, não importava o que teria que fazer.

— Comandante, projeto concluído, todas passam bem! Era Orbis radiante. Nasceram os dez fetos com sucesso.

— Que maravilha! Estamos com a cota completa, vamos para a Base Mãe. Traga os seus relatórios Orbis e venha comigo!

Saindo para um corredor, ambas entraram em uma espécie de sala onde automaticamente se vestiram para entrar em uma nave pequena. Sentadas e felizes pela conclusão do novo projeto, partiram para a Base Mãe para dar as boas novas à líder.

Xapher era a líder de todas as Bases em Herbus. Desde os primórdios dos tempos ela estava ali, orgulhosa de seu desempenho eficaz. Quando veio ainda criança para as Plêiades, havia sido treinada para um dia ser uma líder e era a melhor! Passara em todos os treinamentos com mérito e agora liderava uma gigante colmeia de filhas que vinham dos mais diferentes planetas e dimensões: as rebeldes dos tempos. Ela as dominava. Fariam o que ela quisesse e assim tinha que ser. Ela estudara todas as ciências e, por fim, criara um DNA perfeito, eles seriam criados em todos os planetas, galáxias e dimensões. Estudara mitos, lendas e origens de todo o Universo. Sabia como criar um líder ao qual o povo o obedeceria com fervor, ele os manipularia tal qual a sua vontade. Sim, tudo era perfeito.

Olhando pela janela do seu Império, viu uma nave pequena se aproximar. Eram Orbis e sua comandante Kibuk.

— Sejam bem-vindas à Base Mãe!

— Abençoada seja Rainha. — Saudaram as visitantes, com respeito.

— Venham comigo! Quero lhes mostrar algo importante.

Todas se dirigiram pelos corredores da imensa Base majestosa, tudo era simplesmente divino. Com apenas um aceno de cabeça, a líder levou-as para um ambiente incrível que se chamava o Grande Berçário. Era onde ficavam os recém-nascidos, aguardando os seus respectivos novos lares. Uma nave imensa viria buscá-los em breve e os distribuiriam aos seus destinos futuros. Tudo era sigiloso, somente a líder sabia para onde iriam e o que seriam num futuro próximo.

— Eis o relatório, Grande Rainha. — Fazendo uma referência, entregou-o a Xapher.

Ela tocou-o e sabia o seu conteúdo. Sorriu satisfeita, maravilhada.

— Perfeito! Vamos aproveitar a visita e dar uma olhada mais de perto dos fetos, venham!

Todas saíram do Grande Berçário e se dirigiram para a sala de programação de fetos. Com pequenos acenos, ela as levou para um Tour pelas propriedades do imenso lugar, conheceram muitos doutores no caminho e salas majestosas com toda a tecnologia de ponta. Até que chegaram ao que se chamava Grande Sala de espera, onde os pequenos ficavam aguardando o seu resgate, com enfermeiras aos seus cuidados.

Kibuk ficou fascinada, sentiu uma onda energética muito intensa só de olhar pela janela de observação. Vários fetos estavam em tubos como se fossem a placenta da progenitora original, eles eram recolhidos das mulheres conforme a necessidade de tempo fecundado. Muitas sucumbiam, eram pulverizadas e suas cinzas levadas para o espaço sideral, ninguém sabia o porquê disto. Novas rebeldes eram recrutadas e passavam por uma série de exames e modificações até se tornarem aptas para a próxima geração.

— Ouvi dizer que trouxeram uma antiga guerreira rebelde de Traves. Como ela está? Estágio inicial, para uma grande guerreira que foi, acho pouco. Devem tomar todo o cuidado e atenção para com ela, entenderam? O tratamento convencional não basta, neste caso, deve-se ter consciência de que ela poderá resistir a uma lavagem cerebral e recordar muito antes das outras operárias convencionais.

— Sim rainha. Ela está sendo monitorada em tempo integral, neste momento já estão fazendo a segunda aplicação de sedativos obrigatórios para o caso dela. Deixei as ordens expressas.

— Muito bem! Agora vamos retornar à Base Mãe para finalizarmos nossos relatórios, quero estar com tudo pronto quando a nave chegar. Primeiro Thorus passará aqui os recolhendo, depois irá para a sua Base Kibuk.

Voltaram apenas com um movimento à Base Mãe, maravilhadas com tudo o que viram. Mas Kibuk sentiu um pequeno mal-estar, porém, no momento não entendeu o que a havia feito se sentir assim.

Enquanto isso, na Base Woman, algo parece estar errado. Uma operária novata tem seus próprios pensamentos e lembranças e, agindo de forma estranha, chama à atenção das guardas. A cor de sua aura toma uma tonalidade escura e todas olham para ela como se não entendessem o porquê da mudança. Médicos residentes e enfermeiras de plantão correm ao seu encontro, tentando aplicar-lhe uma injeção, mas não conseguem, e o caos se origina pela primeira vez em muito tempo.

Quando a pequena nave contendo as duas tripulantes chega à Base, Kibuk percebe que algo saiu do controle. Ela e Orbis se olham e ficam a imaginar o que haveria acontecido. Sirenes tocam alto, quebrando a paz do lugar, correria e agitação nunca vistas chocam as recém-chegadas. Ambas correm, acessando os corredores até o compartimento médico, vendo com horror verdadeiro e uma cena que nunca iriam esquecer em todas as suas próximas gerações. Uma operária socando tudo e todos como se fosse um animal feroz, cadeiras e instrumentos médicos voavam em todas as direções.

Com um levantar de mãos, Kibuk conseguiu acalmar a operária e, a segurando com firmeza, aplicou-lhe um sedativo de alta potência. Olhou em volta e viu o pânico e o absurdo em todos, foi horrível.

Levaram a paciente para os seus aposentos. A calmaria se fez, isso era o que Kibuk achava.

Em seus aposentos, Krishna adormeceu. Ferida e machucada, sentia dores por todo o seu ser, doí-lhe a alma, uma dor distante e ao mesmo tempo presente real. Sonhou e no sonho viu-se numa aldeia, muito jovem ainda, ajudava sua mãe com pequenos afazeres do lar. No sonho ela vinha carregando lenha para ajudar a fazer a fogueira, quando estava chegando deixou cair alguns gravetos e abaixou para pegá-los, ajoelhou ao chão e imediatamente sentiu um trepidar forte tão intenso que tudo parecia tremer e chacoalhar na aldeia. Eram imensos cavalos alados, com enormes cavaleiros montados sob eles, seus olhos eram negros, profundos e cruéis, suas roupas eram feitas de algum metal que ofuscava a visão de quem olhasse em sua direção. Alguns apareceram voando, mas os que vinham por terra eram assustadores e medonhos, o trepidar de seus cavalos fazia tudo tremer. Viu, com os seus olhos arregalados, a aldeia pegar fogo, ouviu os gritos desesperados dos anciões e começou a correr, gritando o nome de sua mãe. Uma enorme e poderosa mão a agarrou pelo braço jogou-a sob o seu cavalo e, como mágica, subiu aos céus, levando-a para outro universo paralelo.

Acordou sem fôlego, apavorada. Tremia compulsivamente, sentia a sua energia pulsando, entrando e saindo como um raio elétrico. Caiu ao chão, sentiu a sua aspereza, seu cheiro e o frio. Aos poucos foi voltando ao normal, se recuperando gradativamente e voltando a ser um ser de luz, sua aura e cor foram se equilibrando até se tornar azul turquesa com pequenos pontos de luz brancos e brilhantes. Era agora a guerreira, estava ali, lembrou-se de tudo.

Kibuk estava fora de sintonia. Sabia que algo não estava certo, mas não sabia o que era. Foi com a sua assistente Orbis, e mais algumas enfermeiras até o berçário, queria conferir tudo pessoalmente. Chegando lá, juntou todos os médicos para uma pequena conferência. Tudo conferido relaxou um pouco, mas a sensação não passou. Teria que fazer o transporte dos fetos, era um trabalho muito delicado e preciso, a Grande Nave viria buscá-los e tudo tinha que estar sincronizado. Sempre ficava no ar essa sensação de perigo, pois nas Galáxias existiam ladrões de naves, sabotadores que roubavam todo o tipo de coisa só por maldade e prazer. Piratas demoníacos, satânicos do mal, os Pittons do Ar, eram assim chamados, pois as suas naves pareciam como uma enorme serpente voadora. Devia ser por isso que estava agitada.

A Rainha Xapher havia dito que, em breve, teriam que se preparar para o transporte dos fetos e em seguida viria outra nave menor, para levar as progenitoras sabe-se lá para onde. Isso era um mistério que só poucos sabiam, os líderes mais antigos.

Enquanto isso, operárias tomavam o seu banho de sol num parque enorme com um cenário fantástico, como fosse o próprio paraíso na Base. Árvores frondosas, muitas espécies de flores, pássaros e borboletas, colinas sem fim, frutos frescos para serem colhidos à vontade e um clima gostoso do qual todas podiam usufruir. Caminhavam pelos caminhos demarcados com pedras decorativas como se fosse uma trilha, em todo o trajeto apareciam pássaros lindos e coloridos cantando suavemente. Elas conversavam sobre vários assuntos, como se morar naquele lugar as fizessem felizes. Quem dera.

Tudo imaginário. Era a realidade posta a elas para que gerassem filhos perfeitos num ambiente saudável. A realidade era bem outra, tudo era cinza, não havia sol e nem nada. A Base Woman era um quartel rígido e vigiado o tempo todo, com normas severas e práticas milenares para a produção séria de novos líderes universais. A nova remessa estava pronta para ser entregue, seriam reis, presidentes e governantes de todos os lugares possíveis e inimagináveis.

Caminhando como se fosse uma operária comum, ia Krishna. Olhando tudo à sua volta e vendo com a sua alma e olhos bem reais o imaginário e o fictício do ambiente como um todo. Procurava não ter nenhum tipo de sentimento para não alterar a sua aura e não chamar a atenção das câmeras de vigilância, disfarçadas em todos os lugares. Ficou a imaginar quem estaria monitorando essas imagens.

— Ei, você! — Era Jefthis, a encrenqueira, e sua parceira Nethis do bem.

Krishna virou-se e encarou-as com um olhar neutro para não as deixar desconfiadas e nem chamar atenção.

— Oi.

— Oras. Além de brigar ela fala. − Riu Jefthis.

— Para com isso! Deixe-a em paz. Como você está? Acalmou-se? Aqui somos obrigadas a ser calmas e complacentes, nada adianta se revoltar.

— Nem quero falar sobre isto que me dá agonia, daí mudo minha aura e vem logo um exército de guardas me encherem de sedativos e umas pancadas também. − Disse Jefthis.

— Então vocês são seres conscientes da realidade do lugar?

— Claro! Temos que fingir burrice. É melhor do que ficar trancada no aposento, pelo menos caminhamos e conversamos um pouco para não ficarmos loucas de vez.

— Infelizmente temos que fingir mesmo e controlar as nossas emoções para não despertar a desconfiança em ninguém da Base, e assim vamos caminhando felizes para o holocausto. − Riu irônica Nethis, que ficou muito triste de repente.

— Pare com isto, já está escurecendo o seu ser!

— Vamos nos sentar naquele banco um pouco, quero conversar com vocês um assunto bem interessante.

Todas foram para uma pequena área como se fosse uma praça com um lindo campo com flores ao seu redor, mas que, na verdade, a realidade era bem outra.

— Comandante Kibuk! — Era um funcionário, vigilante das operárias. — Senhora, há três operárias separadas em um jardim, estão conversando algo que não estou conseguindo decifrar! Parecem estar conversando em uma língua que desconheço ou em telepatia momentânea.

— Calma, vamos verificar então. Venha comigo!

Kibuk e mais alguns funcionários da base se dirigiram para as câmeras a fim de descobrir o que se passava, imediatamente apareceu uma cena com três operárias sentadas no banco da suposta praça, semblantes serenos e auras tranquilas. Não entendeu a preocupação do vigilante. Mas ao aproximar a imagem, sentiu um arrepio, elas estavam se comunicando via ondas e, conforme sentiam que alguém as traduzia, mudavam de frequência.

— Mas que absurdo, como podem?

Kibuk pediu às guardas para se aproximarem devagar das operárias para descobrir alguma coisa, mas quando elas chegaram ao local já haviam desaparecido!

Krishna, Jefthis e Nethis apareceram no refeitório do nada, como um abrir e fechar de portas. Pegaram frutas cortadas e vitaminas, sentaram-se numa extensa mesa no refeitório e começaram a se comunicar com outras operárias da mesma forma que tinham feito ao ar livre e deu certo, a notícia se espalhou como fogo. Iriam começar uma revolta no lugar para uma possível fuga em massa, aquilo tinha que ser preparado com muito cuidado e sincronia.

Kibuk chamou as outras líderes de todas as Bases de Woman para uma reunião emergencial, elas nem sabiam do que se tratava, pois, pela primeira vez em milênios, era a única reunião desse porte feita.

Enquanto isso, o fogo se alastrava entre todas as operárias, uma onda vibratória estava no ar, todas se preparavam para a revolta. Iriam dominar a nave que viria buscar os novos fetos, não podiam mais aceitar aquela situação. Iriam mudar a história.

Kibuk, Orbis, e tantas outras líderes, terminada a reunião, resolveram pedir uma ajuda há um especialista em ondas magnéticas para tentar traduzir essa energia que se espalhava no ar. Ele viria com a nave que vinha buscar os novos seres que estavam prontos, se chamava Thorus e sua excelência era a comunicação entre todos os povos que existiram em todas as eras. Ele resolveria a questão. Pronto, tudo seria acertado.

Isso era o que Kibuk achava.

No toque de recolher, tudo voltou ao seu normal. Todas foram para os seus respectivos aposentos com a tradicional calmaria, se deitaram e assim as guardas ficaram mais tranquilas, conferindo uma por uma seu DNA e todas estavam ali. O que elas não perceberam foi um ligeiro sorriso em cada ser que ali se encontrava.

Xapher estava muito satisfeita com a nova remessa, com tudo sob controle, aguardava a chegada da Grande Nave com Thorus e seus aliados. Fazendo os preparativos para a grande entrega foi ter com os seus subordinados, sempre conferindo juntamente com a equipe médica todos os pormenores. Recebendo o sinal de onda perfeito, foi separar as cápsulas com todos os novos líderes universais para transferi-las para um compartimento seguro e rapidamente inserir na nave.

Kibuk estava apreensiva, tudo estava pronto. Foi com as suas assistentes e equipe médica fazer os últimos preparativos, isolaria as cápsulas e aguardaria a chegada da Grande Nave. Primeiro a nave passaria na Base de Xapher e logo em seguida viriam buscar os dez que estavam em sua base. Estava ansiosa, falaria com Thorus.

Nos jardins imaginários da Base Woman, caminhavam normalmente as operárias para o banho de sol matutino. Todas ajustavam secretamente as suas auras e por telepatia se comunicavam, tornando-se assim uma força única, uma energia imensa, mas sem chamar a atenção das guardas. Tinham o controle agora, eram filhas, mães, irmãs, unidas de várias gerações de violência e injustiça para com vários povos. Iriam por um fim ao sofrimento e a tudo aquilo.

Uma Grande Nave aproxima-se da Base Mãe, Xapher os aguarda. Entrega pronta e transferida com sucesso! Saindo para a Base Woman, vai Thorus e sua tripulação. Kibuk os aguarda e como em milhares de vezes, tudo está pronto. Transferência sendo providenciada. Quando tudo estava perfeito dentro da nave, Thorus faz uma referência à Kibuk como de costume, mas, ao levantar o rosto, ele sorri e seus olhos brilham como dois sóis, um brilho tão intenso que Kibuk e a equipe médica e todas na plataforma ficam cegas momentaneamente. O que era aquilo afinal?

Um pânico tomou posse de Kibuk e todos ali presentes. Foram pegos de surpresa.

Com armas de raio a laser, aparecem Krishna, Jefthis e Nethis, flutuando como se fossem deusas mitológicas de luz. Seus rostos mudavam de acordo com o que sentiam, mostrando a todos quem realmente eram. Guerreiras. As filhas roubadas de suas aldeias, das famílias mortas e sacrificadas por várias gerações, sem saber o que fazer Kibuk corre e com ela outros seguem pelos corredores, raios são disparados em várias direções, destruindo toda a base e tudo o que ela representa. Operárias entram em combate direto com as guardas em todos os pavimentos e o caos se torna uma realidade. Krishna voou em direção à maternidade e, com profundo respeito e pesar, mira em sua direção, destruindo tudo. Fogo e labaredas explodem tudo por onde passam, a base Woman não vai mais existir, fetos não serão mais gerados naquele lugar. Nunca mais!

— Krishna venha, vamos embora. − Grita Jefthis.

Olhou em volta como acordada de um pesadelo, percebe que foi longe demais, Xapher viria em auxílio da Base Woman, teriam que partir depressa.

Todas entraram rapidamente na Grande Nave, elas, as operárias e as mães que seriam sacrificadas. Thorus sorrindo para Krishna, abraça-a com um enorme respeito, recebera o seu recado, ele, num passado distante, havia sido seu irmão em uma das aldeias em que Krishna havia sido sequestrada. Fecharam a porta da Grande Nave e sumiram no vácuo no universo, Krishna sentiu ao longe a irá mortal lançada de Xapher, ela nunca a perdoaria.

Sobre a Autora:

Edna do Nascimento Lobão, nascida em São Paulo na Penha, filha de pais cariocas, neta de portugueses de Coimbra, viveu sua infância brincando nas ruas com a molecada, empinando pipas e andando de rolimã. Teve que trabalhar muito cedo em vários tipos de comércio para ajudar a sua família, nunca se casou, tem um filho adolescente, com quem mora. Por motivos da Pandemia resolveu escrever um conto, que na verdade era seu sonho na adolescência.

12 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
 
  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
  • Tumblr

©2020, Literatura Errante®, por Instituto dos Artistas Errantes.