Cena 7 - À beira da estrada...


Créditos iniciais ou Prefácio para quem preferir.


Uma vez ao andar em um trem turístico, não pude evitar ouvir uma conversa. Ao olhar uma casinha fincada no pé da serra, a senhora sentada no banco em frente ao meu, disse: Olha lá, João! Parece casa de pintura. Daquelas que Odete pinta.

Não sei quem é João, nem Odete. Mas o que seguiu na conversa me deixou encafifado. João, perdido em olhares profundos disse: Ali deve ter história.

Narrativas que se cruzam, histórias que não são contadas. Amores, traições, derrotas, vitórias. Coisas que acabam bem. Novelas sem casamento no final. O herói da profecia que falha, o anti-herói sem redenção. Mortes estúpidas. Vidas gloriosas. Tudo acontece ao nosso redor e nem notamos. Nem tudo tem registro ou sentido. Algumas vezes apenas passamos ao longe e vemos uma moça na janela, um menino na rua, uma manchete de jornal. Não há ligação, mas tudo está ligado. Basta olhar com atenção. Ler atentamente. E olhar cada capítulo da vida como quem olha um álbum de retratos velhos e imagina o antes e o depois do abrir e fechar do obturador. Leia o texto a seguir com esses olhos. Olhar de quem imagina e enxerga além da fotografia. Divirta-se.



Cena 7




Preâmbulo

Lembro, sempre, quando a nostalgia se apresenta, principalmente ao anoitecer, de uma das mais belas paisagens que já vi em minhas andanças a procura de conversas alheias ou histórias inverídicas contadas por alguém em mesas de bares ou balcões de vendinhas fincadas ao longo de beiras de estradas antigas que resistem, mesmo nesses tempos de grandes rodovias.

Não escreva frases longas, diria o Zé. “... Frases longas se perdem no pensamento.” Essa era a justificativa. O mantra repetido por ele sempre que lia alguma coisa minha. O texto tem que ser curto, conciso, preciso e coerente. Eu devolvia, querendo ser astuto e insolente, dizendo que não podia estabelecer limites para o gênio, para o talento. Ele ria e me obrigava a repetir: “Frases longas se perdem no pensamento.”. Eu, realmente, nunca atingi a profundidade necessária ao pleno absorvimento dessa frase, mas era bom viver ali com ele.

O Zé era o dono de um restaurante em um posto de combustível, esse conto irá desenvolver mais esse personagem. Eu, agora entendo, realmente, o significado de nostalgia e, posso, de forma real ou idealizada, definir bem como essa sensação melancólica e dolorida apodera-se de minha alma quando me lembro desse lugar em beira de estrada, onde vivi meus anos de infância e da paisagem referida no começo desse texto.

Fui criado pelo Zé, meus pais não eram um modelo de responsabilidade ou de família. Minha mãe morreu quando eu era pequeno, alguma DST a matou. Meu pai, ela nunca soube quem era. Um caminhoneiro ou ajudante. Traficante ou viciado. Ela nunca soube. O Zé sempre me disse que, quando ela se descobriu grávida, deu uma pausa nos vícios e tentou se aproximar da família que obviamente a enxotou. Também não sei quem são meus avós maternos. Nem me ocupo tentando descobrir ou me aproximar. “Ela era uma pessoa boa, não merecia esse tratamento”, diria o Zé, sempre que ela era o tema de alguma conversa comigo. Também aceitei esse lema e passei a querer fazer da minha vida algo que minha mãe pudesse se orgulhar. Eu era literalmente um filho da puta e precisava seguir com minha vida.

Antes de seguir em frente com esse relato, acho válido explicar um ponto. Não gostaria que o texto se guiasse através das desventuras de minha vida em um lugar pouco apropriado para a educação de uma criança. Esse relato tem como tema, o lugar em si, não eu ou qualquer outro morador. O lugar sempre me intrigou, parecia vivo ou um ponto relevante de intersecção de pessoas. Nunca o entendi e talvez escrever sobre, me faça refletir com mais profundidade sobre o assunto. Além disso, caso tivesse lido até aqui, Zé já diria que me estendi demais.

I

A estrada era para mim, menino com dez anos, um mistério. Mas não falava disso. Sabia que a resposta seria acompanhada de um: “Vai estudar, Menino.”. E isso era o que eu fazia a maior parte do tempo. Mas sempre sobrava um momento para ficar ali no restaurante do posto olhando os caminhões, carros e qualquer veículo que passava. Tinha a impressão que as construções eram milenares. Erguidas juntos com as montanhas e anteriores ao tempo contado pelo Homem. Era tão parte da paisagem que não conseguia imaginar como o lugar seria sem elas. Esse aglomerado de casas, estabelecimentos comerciais; bombas de combustível e pessoas desajustadas. Foi idealizado e construído por um fazendeiro rico, dono de tudo nos idos tempos. Saber disso amarelava a imagem que fazia do lugar e, confesso, perdia a graça que minha imaginação de criança dava a tudo. Descrições são desnecessárias nesse caso, tudo se resumia a um ponto na estrada onde os viajantes poderiam abastecer seus veículos, comer alguma coisa no restaurante do Zé, arrumar algum furo nos pneus e seguir viagem.

Tudo era comum, igual a qualquer lugar parecido com esses que estão por aí. A não ser por um problema. O Fazendeiro não contava que a estrada não daria vazão à demanda imaginada por ele. E o que houve foi uma grande degradação do lugar. Hoje não há mais nada. Entretanto, no tempo que morei lá ainda havia esperança. O prédio do restaurante abrigava em seu piso superior uma série de quartos que seriam para o pouso de caminhoneiros, famílias em viagens longas, vendedores. Em tese, pois no fim, se tornou morada dos que trabalhavam por ali mesmo. Havia o Borracheiro, uma Balconista viúva, um Frentista sem família, o Mecânico, algumas prostitutas – entre elas, minha mãe –, o Zé e eu. Éramos uma comunidade que existia em função dessa parada de caminhões. O lugar foi se tornando com o tempo, não só o local de trabalho, mas também nossa casa. Um oásis para alguns, um inferno para outros. Ainda não sabia o que era para mim. Um lar talvez...

A estrada, como dizia antes da divagação, era misteriosa e despertava minha curiosidade em relação às cidades que poderiam ser destinos ou partidas de quem a utilizava. Mesmo me sentindo confortável em habitar aquele lugar. Era sabido por todos que não era um lugar para um menino crescer. E o Borracheiro, a Balconista e, sobretudo o Zé, me incentivavam a buscar algo maior. A querer um dia sair dali e ser alguém. Mas eu era alguém. Sentia-me feliz e, como agradeço a Deus por isso: existia a banca de revistas. Essa, sem sombra de dúvida, era minha diversão mais amada. Acho que também era a diversão do Zé. Que lia um exemplar de cada jornal e revista que aparecia por ali. Ele tinha um gosto notável pelas páginas policiais e sempre falava com o Borracheiro que o crime perfeito era possível. Uma vez ouvi-o falando: “Tenho certeza que, fora esses que são publicados no jornal, há o triplo de crimes que nem são comunicados.”. Menino, nem avaliei a frase. Ou sequer imaginei o verdadeiro teor dela. Mas hoje assusto ao imaginar que para cada um há mais três. Talvez mais.

A banca era minha janela para o mundo. Considerando que minha educação escolar era em uma escola rural próxima dali, minhas opções eram poucas. Então, a banca era a minha diversão. A escola possuía poucos alunos, professores frustrados com as condições do ensino. Naquele tempo, o nível da escola ainda era chamado de primeiro grau. O Colegial teria que ser feito na cidade que era bem longe, uns quarenta quilômetros. Entretanto, o Zé prometera que me levaria de um jeito ou de outro. Ele tinha uma Kombi que usava para comprar insumos e abastecer semanalmente o restaurante. Um dia o Borracheiro disse para o Zé: “Já que você tem a guarda do menino, deixe de herança, o restaurante, para ele”. O Zé respondeu, imediatamente, que: “... era injusto me dar um problema.”.

E a vida seguia.

Quando chegavam jornais com coleções de livros, antes do funcionário da banca colocar pra vender, um exemplar era separado para mim. Assim, conheci lá pelos meus doze anos, “Recordações do escrivão Isaías Caminha” de Lima Barreto, “Memórias de um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida e “Poemas” Selecionados por Péricles Eugênio da Silva Ramos de Gonçalves Dias. Leitura complexa para um menino. Mas o fascínio pelos textos não tornava a complexidade um obstáculo. Fascínio este nascido da biografia desses escritores. Era o que lia primeiro. A biografia resumida na quarta capa de cada livro.

A vida de cada um, quando se assemelhava a minha em qualquer situação, me dava motivação. Um era filho ilegítimo, os outros eram pobres. Todos eram uns ferrados pela vida, pelo lugar onde nasceram. Eu era pobre, mas acreditava que poderia sair dali, tanto pelos exemplos desses escritores, quanto pelas palavras de incentivo das pessoas que me rodeavam. Decidi, em dado momento, que a Literatura me salvaria tal como havia salvado a memória desses escritores supracitados. A importância de deixar um legado era para mim o sentido que poderia dar a minha existência. Viver para sempre com minha vida contada em uma quarta capa de livro. E me isolei da miséria que poderia se abater sobre mim ao ter pena de mim mesmo por minha situação de bastardo, órfão de mãe, não conhecer a identidade do pai e enfiei em minha cabeça que seria escritor. Que meus textos seriam publicados em coleções; teria minha foto em capas de revistas, jornais; poderia ser jornalista, escrever crônicas, reportagens, contos, romances; seria eternizado nas palavras de críticos e lembrado por leitores de minha obra. Essa era parte da interminável lista de possibilidades. Sonhos de criança. Mas em nenhum momento quando mostrava um texto para Zé ler e avaliar, ele me tirava o ânimo ou desdenhava. Zé lia muito. Além das páginas policiais, sempre o vi lendo Agatha Christie - de longe, a autora preferida -, e outros autores que escrevessem livros de crimes e mistérios. Sempre o ouvia conversar com o Borracheiro sobre como tal criminoso errou ao fazer algo que deixasse rastro para a polícia ou para o detetive literário. Eram conversas longas sobre possibilidades, ferramentas que poderiam ser usadas. Um dia o Borracheiro falou: “... Sem corpo não há crime.” Zé apenas olhou fixamente com uma expressão assustadora. Nunca entendi aquele olhar. Ou quem sabe eu tenha me feito de rogado, esperando uma expressão mais óbvia ou explícita. Talvez, no fundo, eu quisesse não saber de qualquer suposta referência ao que um veladamente, dizia ao outro, só no olhar.

Talvez...

Mas era um menino. Preocupado com o próximo livro que iria ler. Queria avidamente devorar tudo, todas as páginas de revistas, jornais e livros que eram vendidos na banca.

A infância e a adolescência foram assim: Ouvindo conversas e lendo. Observando o comportamento das pessoas. Imaginando as histórias de todos os viajantes que por ali passavam. Alguns contavam frações de suas vidas. Outros mais soturnos preferiam guardar para si a dor que arrastavam pelas estradas. Fardos mais pesados que as cargas de seus caminhões.

A minha infantil inocência não esclarecia a profundeza da dor desses seres que viviam um dia depois do outro, fugindo das suas histórias, tentando esquecer o passado, talvez fossem ingênuos como eu. Imaginando que o passado se distanciaria como os palmos de asfalto que ficavam para trás.

E o tempo passou...

II

Quando adulto, eu me tornei um profissional das Letras. Como era de se imaginar, com nenhuma surpresa para o Zé, um dia cheguei ao restaurante e mostrei um panfleto de um programa do governo federal que financiava a faculdade para pessoas sem condições de pagar. Ele me disse que, se não conseguisse entrar no programa do governo, ele daria um jeito de pagar. E consegui! Fiz o curso de Letras. Foi mágico.

Um dia fiz um concurso público para o cargo de professor em um município um pouco distante. O Zé, visivelmente triste, me abraçou, falou com a voz embargada que me amava como um filho e me desejou toda a sorte do mundo. No fim, falou muito sério que jamais voltasse ali. Que eu deveria esquecer aquele lugar. Que era um lugar maldito. Onde mulheres vendiam seus corpos para vampiros de almas. Que eu deveria amar a poesia que li nos livros e que tentasse fazer do mundo um lugar livre das maldições que perseguem o Homem. Tentei contradizê-lo dizendo que ali era meu lar. Ele respondeu dizendo: Enterre fundo em seu coração a pouca bondade que recebeu aqui. Seja forte. Não volte nunca mais seus olhos para um lugar desgraçado como esse.

Não entendi, mas aceitei. Eu me mudei para a nova cidade. E minha condição financeira foi melhorando. Tive muitos momentos difíceis. Toda semana eu ligava para o Zé. Era complicado viajar e vê-lo pessoalmente. Por isso fazia questão de ligar. Conversávamos sobre meu trabalho; sobre como o movimento do Posto estava cada vez menor e que ele estava pensando em acabar com o restaurante e finalmente aposentar. Fiquei radiante com a possibilidade de voltar a viver com ele. Pois era possível que aposentado, ele pudesse se mudar para minha atual cidade e morar comigo. Eu já estava começando a me estabelecer e até pensava em comprar uma casa ou apartamento. A vida havia sido generosa comigo. Em sua essência, graças ao Zé.

Mas claro que a desgraça se abateria sobre mim. Ninguém vive feliz para sempre. Minha última ligação foi o momento mais triste de minha vida. O Zé não atendeu. Ninguém atendeu. Só intermináveis toques telefônicos. Sons lineares, não muito longos, intercalados de pausas sombrias. Pausas que me davam a falsa esperança que alguém atenderia, mas ninguém atendeu.

Fiquei pensando em o quê poderia ter acontecido. As poucas pessoas que restavam no posto eram o Zé, o Borracheiro e um ou dois frentistas, que apenas se locomoviam para lá para trabalhar. Apenas o Zé e o Borracheiro continuavam morando lá. E isso me incomodava. O Zé escondia alguma coisa da vida pregressa do Borracheiro. Uma vez me lembro de que ouvi duas palavras e rapidamente corri ao dicionário para desvendar seus significados: Misógino e misantropo. E nunca me esqueci de seus sentidos. Queria saber se o Borracheiro estava ali simplesmente por odiar pessoas e especialmente mulheres e se já teria cometido algum crime. E temia pelo Zé. A possibilidade de o Borracheiro surtar ou agredir o Zé era ampla. Os dois morando praticamente sozinhos me fazia ter a impressão que mais cedo ou tarde isso aconteceria.

Preocupado resolvi ir vê-lo. Daria um jeito. Corri até a rodoviária e comprei a passagem de um ônibus que passava pelo Posto, desceria na Rodovia e iria correndo sanar minha preocupação. Foi uma viagem longa. Durava quase cinco horas. Foram horas eternas. Fantasmas sombrios sopravam ideias horríveis em meus ouvidos e a cada momento acreditava mais nelas. Malditos demônios. Mas, para minha desgraça se realizar e um pensamento mais tenebroso se apoderar de minha mente, ouvi a conversa do motorista com um homem que parecia ser um fiscal da empresa viária. O Fiscal comentava com o Motorista que no dia anterior estava nessa mesma linha rodoviária. E ao passar no Antigo Posto onde paravam em viagens mais longas, viu várias viaturas da polícia civil, militar, perícia. Ele falou:

– João de Deus! Você não imagina a quantidade de pessoas. Tinha até repórter de TV. Aquelas luzes, câmeras para lá e para cá. Gente andando com aqueles baús do IML. Nossa. Foi coisa de filme.

– Mas será que foi o Borracheiro mesmo?

– Eu não sei. Tão falando que tinha corpo de traficante... Roupa, coisas de mulher. Uma zona. Mas o cara era louco. Derretia o corpo de quem matava... Ainda não vi na televisão, nem ouvi no rádio. Mas logo aparece no noticiário. Foi feio, viu?

– É... Tem gente louca por aí. Só que ninguém nasce com estrela na testa. Quando aparece é por que já é tarde. Aí é só lamentar.

Não me contive e me intrometi na conversa.

– O Seu José Machado, dono do restaurante é uma das vítimas? Foi algum tipo de chacina?

O Fiscal me olha ressabiado ou incomodado com a intromissão e diz conciso:

– Não, moço. Só corpo de traficante e coisa de mulher.

– O senhor sabe disso como? – Perguntei, não disfarçando minha curiosidade.

– Um amigo passou por lá e contou pra gente. Essas coisas que acontecem na estrada correm rápidas entre a gente. É só o tempo do ônibus ou caminhão chegar ao destino.

– Entendi. Conheço o dono do restaurante. – Falei mais para finalizar a conversa que para dar uma satisfação ao homem.

Cheguei ao meu destino. Ainda havia um cenário tenebroso e pesado. Sujo, desgraçado. Não sei como o tempo – pelo menos para algumas coisas – destrói, corrói. Paredes azulejadas de oficinas de trocas de óleo, que em minha infância brilhavam límpidas e majestosas. Eram agora ruínas opacas, desgastadas, puídas. Não eram compatíveis à beleza que exibiam em minhas memórias. Telhados quebrados, Construções abandonadas. Apenas o restaurante expunha algo como nos tempos de outrora.

Estávamos próximos do entardecer. O dia se esvaia consumido pela viagem longa e pelas demoras que a vida me impôs até ali. Mas graças a Deus, eu estava lá.

Havia uma repórter gravando um vídeo. Quando passei ao seu lado ouvi parte do relato:

“... Os corpos foram encontrados no tanque de gasolina. Eram de traficantes. O assassino ainda não teria colocado as centenas de litros de ácido sulfúrico necessários para derreter a carne e os ossos dos cadáveres encontrados... A Polícia não descarta a hipótese de chacina...”.

Ao me distanciar da equipe de reportagem, me passa pela cabeça a frase de Zé: “... era injusto me dar um problema.”. Será que ele tinha algo com isso? Onde ele estava?

Andei sem destino pelo lugar. Não havia a movimentação que o Fiscal comentara na conversa com o Motorista. Apenas alguns repórteres, policiais e peritos. Já era uma cena com indiferença dos atores. Quem estava ali, estava apenas para terminar algum serviço. Já não havia mais necessidade de rapidez. As ações já eram feitas em automático. A desgraça continuava apenas no tom dos relatos que ao longe eram lançados ao vento por quem por ali passara ou em qualquer lugar ouvira a história. Em pouco tempo já iria fazer parte do desbotado passado e não teria mais sabor. Seria uma memória transparente, insípida. Talvez até duvidassem de sua autenticidade. E nem me importava queria só achar meu amigo.

Enfim o encontrei, sentado perto do que sobrou do antigo restaurante. Ele me olhou quando me encaminhava em sua direção. Levantou-se com agilidade, abraçou-me e disse:

– Falei para nunca mais voltar aqui.

Sem me importar com sua reprimenda, sorri e falei:

– Me faz um café. Tava preocupado com você.

Antes de entrar, olhei para trás e vi a estrada. Era imponente como antes. Um tapete negro onde desfilavam histórias de pessoas que eu nunca saberia. Talvez fosse melhor que eu e ninguém nunca soubéssemos.

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
 
  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
  • Tumblr

©2020, Literatura Errante®, por Instituto dos Artistas Errantes.