Crônicas de um amor pensante

Desculpa! Se não te tocar, entrelaçar minha pele a tua, vou perder a melhor parte do dia.

Já estamos tão acostumados a sentar ao pé dessa sacada, jogando conversa fora, sem mesmo ver a hora, mesmo sabendo que isso não irá levar a nada.

Desculpa! Mas como vou seguir nesse teu exílio, sem mesmo ter um colírio para aliviar o vermelho dos olhos, o desejo. Como é que posso ver tua boca se mexendo, e eu louco, me remoendo, doido para jogar minha língua dentro dela.

Desculpa! Como irei poder te abraçar, sem ao menos tocá-la como uma dama deve ser tocada. Amar! Beijar! Casar! Fazer cada parte do teu corpo ser um espaço de minha morada, e meu velho corpo decrépito, ser teu lar.

Desculpa! Essa solidão a dois é pior que qualquer tipo de inferno! Pior que esse verme que come meu juízo! Desse suicídio que inalo no dia a dia! Pior que o corpo despencando da janela, caído numa calçada vazia, sem choro de amigos, de amantes ou familiares! Caído lá, na espera de que ao menos uma caçamba de lixo venha lhe buscar!

Desculpa! Mas não sei mais o que fazer! Estamos aqui sentados, um olhando para o outro, rindo de bobagens, falando de viagens. Oh, meu Deus! Viagens! Viagens! Para que quero saber de viagens? Se a única viagem que quero fazer é ao centro do teu corpo! Desbravar os mistérios desse maldito sentimento! Descobrir as fantasias que minha mente cria! Pobre dessa alma, que ainda pena por um amor perdido!

Desculpa! Mas a noite já vai esvaindo entre a alvorada, a conversa já vai perdendo a frequência de assunto, cigarros já estão acabando, o vinho começa a perder o gosto amargo da verdade. Vai-se tudo, menos essa vontade…

Sobre o Autor:

Pernambucano, ator, produtor cultural e escritor, Luiz Alladin escreve versos desde a infância, influenciado pela família, mas entrou de cabeça mesmo na literatura quando largou a faculdade de ciências contábeis e começou a frequentar os saraus. Hoje ele se dedica em escrever seus textos e a produzir eventos culturais na região onde vive, no interior de Pernambuco, preservando espaços de cultura de resistência.

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