ECOS DE CIRTAN - Capítulo I – Dos criadores e criaturas

Nosso universo é vasto e infinito, há cantos deste universo que são tão antigos, que a mente humana não suporta conceber isso em números. Indeterminadamente no passado, nosso planeta nada mais era do que um aglomerado de matéria sem forma, a escuridão parava sobre ele, havia muita atividade vulcânica e os rios de lava corriam em sua superfície. Mas uma civilização muito avançada olhou para esta rocha quente e disforme e decidiu realizar um trabalho nela.

Esta civilização, os Cínets, era conhecida universalmente como “Os Cientistas”, pois, de fato, corriam o universo realizando suas experimentações e gozavam de liberdade para fazer o que quisessem, pois suas obras anteriores em nenhum momento causaram mal a ninguém. Por isso, o alto concelho do universo deu concessão aos Cientistas para fazerem o que bem entendessem. De fato, Os Cientistas não tinham más intenções, apenas buscavam realizar feitos e se alegravam grandemente com suas realizações, mas tendo terminado logo partiam em busca de alguma nova empreitada. Eles mesmos já abduziram criaturas de seus planetas para experiências, mas essas experiências eram sempre para o benefício da criatura que, além de não saberem o que havia ocorrido, eram devolvidos sempre com uma melhora ou dom que não tinham antes.

O alto concelho é composto por doze seres escolhidos criteriosamente entre as doze raças mais antigas do universo, juntos regiam as leis e regras do universo. Foi-lhes dada autoridade e poder de modo que não mais faziam parte de suas civilizações, mas agora serviam apenas no alto concelho e através de seus decretos mantinham um certo grau de ordem no universo. Assim, todas as civilizações avançadas o suficiente para terem conhecimento de sua existência os obedeciam, pois também sabiam que eles só prestam contas ao Criador, o qual acima de tudo e de todos está. Aquele através do qual tudo veio à existência e, embora muita energia tenha sido desprendida para criar o universo desde a sua menor partícula até o pulsar da mais magna estrela, continua cheio de energia e vigoroso, por isso ninguém ousaria ir contra o alto concelho.

Embora o alto concelho regesse o universo através de regras, eles raramente tomavam partido em algum assunto, mas deixavam as coisas acontecerem para não influenciar no curso natural dos acontecimentos, contudo, de quando em vez, era preciso uma intervenção do alto concelho, assim, o julgamento e punições eram administradas. Mas, na maior parte do tempo, evitavam conflitos e deixavam as coisas acontecerem, apenas evitando um mal muito grande e irreversível.

Os cientistas então vieram até esta rocha quente e escura, iniciaram suas obras e, de uma rocha sem vida, escura e sem forma, foram gradualmente transformando-a em um planeta habitável, com lindas montanhas, cânions, mares e rios, que cortavam agora todo o planeta como se fossem suas artérias, levando vida para todo lugar. Plantas magníficas cresceram, altas árvores, todo tipo de arbustos, folhagens e vegetação rasteira. E, quando o mundo estava feito e apresentava muitas belezas, Os Cientistas fizeram crescer animais de toda espécie para viverem nas terras, nas águas e alguns voando no céu, todos viviam em harmonia dentro deste mundo plural e diversificado. Sendo assim, tendo considerado esta obra pronta, Os Cientistas partiram universo adentro a procura de novas experiências e trabalhos. Ora, agora aquela que havia sido uma enorme rocha escura perdida no vazio, era um planeta desejável e muitas civilizações voltaram sua atenção para ela, algumas por contemplá-la, outras com interesse em explorá-la ou até mesmo tomá-la para si.

Assim, o alto concelho, depois de acolher petições de várias civilizações, concedeu o direito de três civilizações popular ou colonizar este novo planeta com suas criações. Desta forma, cada um devia fixar suas criações no planeta e assim que terminassem seu projeto dariam lugar à próxima civilização, até que as três tivessem concluído suas criações.

A primeira civilização contemplada foram os Qtai-Detós, que desceram ao planeta e ativaram seu projeto, estes ficaram conhecidos como os homens. No entanto, algum erro de projeto ou até mesmo sabotagem, como dizem alguns, fizeram com que o resultado saísse diverso do esperado pelos Qtai-Detós. Essas criaturas, embora belas e com potenciais enormes, estavam suscetíveis a doenças, velhice e, num curto período, morriam. Alguns demonstravam uma faceta intrigante que muito surpreendeu os Qtai-Detós, muitas vezes quando queriam fazer algo não faziam e quando não queriam fazer algo aí o faziam e isso gerava amargura nessas criaturas. Os Qtai-Detós gozavam de boa reputação e nenhuma de suas criações no universo a fora dera qualquer tipo de problema antes, assim, seu representante foi até o alto concelho e solicitou que pudessem ter mais um pouco de tempo, pois agora já estavam seguros de que seu projeto estava pronto. O alto concelho então permitiu que desenvolvessem e fixassem seu mais novo projeto na terra, mas impediu-os de se livrarem do primeiro projeto, os homens. Assim, os Qtai-Detós concordaram, pois tinham orgulho na criação dos homens e estes passaram a ser os primeiros habitantes da terra.

Chegando a hora os Qtai-Detós fixaram seu projeto original na terra, passaram a ser chamados de elfos pelos homens. Os elfos eram, em tudo, parecidos com os homens, no entanto, em proporção e amostragem, apresentavam mais beleza que os homens e não sofriam mal algum, nem doenças nem velhice. Tinham também mais poder, se assemelhando mais aos seus criadores neste aspecto, e demonstravam habilidades exacerbadas como, por exemplo, seus olhos enxergavam muito além do que os olhos humanos podiam alcançar, assim também eram seus outros sentidos. Alguns dentre eles podiam até mesmo perceber algo segundos ou frações de segundo antes de acontecer. Gostavam de música e eram ótimos instrumentistas e artífices, viviam mais harmoniosamente com a natureza. Seu equilíbrio era quase perfeito e o medo não era um limitador para eles. Assim, os Qtai-Detós deixaram o planeta felizes por suas criações. Haviam os deixado separados, cada uma em um longo trecho de terras.

Sobre o Autor:

Brasileiro, taubateano e descendente de italianos, Igor Demerval David (I. D. D. David) é formado em administração de empresas e graduando em educação física, servidor publico municipal, e praticante de karatê, apaixonado por literatura contextualizada em ambientes medievais ou análogos, principalmente as obras de J. R. R. Tolkien.

35 visualizações2 comentários
 
  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube

©2020, Literatura Errante®, por Instituto dos Artistas Errantes.