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Literatura Fastfood

Atualizado: 25 de fev. de 2021


Então...

Até pintou no fim de semana um assunto diferente, mas como havia prometido vou retomar minha opinião sobre a literatura fastfood ou esse fenômeno literário atlético.

Pegue sua dose de bebida favorita e me acompanhe.

Há muito tempo, quando a internet era mato (aqui no Brasil pelo menos), era comum um ou outro aluno vir até a minha casa e me mostrar um CD de dados com a discografia completa de uma banda preferida dele. Lembro-me da alegria de um que havia baixado todos os discos do Deep Purple. E que estava quase baixando a do Led, faltava pouco, o Emule não ajudava. Vocês conhecem esses termos? CD de dados? Emule? Não importa, continuemos.

Eu sempre perguntava: Você baixou, ok! Mas já ouviu todas as músicas? Geralmente a resposta era: Não.

Suspirava e dizia: Não adianta nada você baixar e não ouvir. Você só possui o arquivo, não experimentou. Que adianta?

Minha sina era convencer os alunos que deveriam ouvir mais e talvez ouvir o mesmo disco duas dúzias de vezes no mínimo. Perceber as diferentes nuances; sons criados a partir das texturas; notar a intenção das notas do solo de guitarra; traduzir as letras; ouvir com mais pessoas para analisar o efeito em cada um. Tentar aprender a tocar “de ouvido”.

Sim. Mas que isso tem a ver com a literatura?

Nada ou tudo depende do ponto de vista.

O que noto a semelhança é no consumismo puro. O prazer em falar que tem a discografia. A efêmera sensação de prazer em dizer que tem. Mas a perene emoção da vivência fica onde?

Sinto isso quando vejo pessoas dizendo que leram 150 livros por ano. Será que o prazer está em competir? Em dizer que leu um monte de livros? Mas e o livro de cabeceira? O livro que você leva para a vida? O livro que despertou conversas sem fim com amigos que também o leram? Aquela sensação de imersão que a literatura e a música lhe dão? Ou tudo se resume a ter e, no fim, só contabilizar os números? Que adianta estar sentado no mais alto monte e não ter ninguém para compartilhar as experiências?

Acho que estou ficando velho e olhando o mundo de outra forma. Mas será que não precisamos desacelerar um pouco e degustar mais as pequenas experiências diárias?

Não imagino qual a sua expectativa com o tema. Talvez tenha pensado que eu falaria dos padrões repetidos nas histórias, ou da linguagem usada, a falta de ousadia. Mas tudo isso também está relacionado ao consumo desvairado.

A cultura pop está em crise.

Eu acho...

34 visualizações3 comentários

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3 תגובות


Pablo Gomes
Pablo Gomes
09 במרץ 2021

Excelente reflexão!

Pessoalmente, livros me deixam especialmente consumista. Naturalmente, não é verdade que não os leio, mas, certamente não dou conta da velocidade com que os adquiro, principalmente se considerados os e-books, que são disponibilizados aos montes, sem demandar grande esforço para aquisição, e frequentemente com pouco custo (ou nenhum).


Pelo menos, não posso ser acusado de não os saborear....

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Danielle Aragao
Danielle Aragao
22 בפבר׳ 2021

Olá Guto. Amei a sua divagação e complementaria também com a corrida desvairada por baixar tudo que está Grátis (ebooks) e não ler nada. Querem apenas suas e-estantes cheias e não consumir o que lhe foi dado oportunidade,

PS: Estou falando dos livros grátis em plataformas como a amazon. Sou contra a baixa de livros em PDF e pirateados.

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gutodomingues
gutodomingues
22 בפבר׳ 2021
בתשובה לפוסט של

Sim. Há nesse fenômeno também. Já vi aluno dizer que tem 500 livros em PDF, que baixou todos os clássicos em domínio público e me diz se leu? Nada. Leu nada.

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