Philosophus Tavernisticus

Atualizado: Abr 5


Tem toda uma construção divina em torno do Superman e do que ele representa para a humanidade. Mas isso é tão óbvio, que nem percebemos, rs.

De Homo Sapiens a Homo Heroicus

Ou a influência da mitologia quadrinesca em nosso cotidiano Parte 2


O que podemos aprender com Superman?

Logo de cara o livro tem um capítulo sobre as escolas de julgamento moral: Utilitarismo, Deontologia e a Ética das Virtudes.

Desculpe... O livro em questão é Superman e a Filosofa organizado por William Irwin.

Meu! Que livro top. Aliás, como todos da série “... e a filosofia” de W. Irwin.

Recomendo a leitura.

Sábado estava conversando com uma amiga sobre o Superman e suas origens, semelhanças com outros mitos religiosos e principalmente com personagens bíblicos.

Thomas C. Foster já escreveu muito sobre isso nos livros “Para Ler Literatura Como Um Professor” e “Para Ler Romances Como Um Especialista”.

Primeiro ponto é a questão do envio:

Superman é como Moisés: Enviado em um cesto para ser salvo e acaba tendo como missão salvar.

Segundo ponto:

Superman é morto por um personagem chamado Apocalipse e... RESSUSCITA!

Mais bíblico impossível.

Nem vou citar os aspectos abordados no filme do Zack Snyder, Batman versus Superman. Aquele lance de Deus que sangra?, etc. A pichação na estátua: “False God”.

Tem toda uma construção divina em torno do Superman e do que ele representa para a humanidade. Mas isso é tão óbvio, que nem percebemos, rs.

Agora ele vai lançar um filme onde o Superman enfrenta um cara chamado Darkseid e que mora em APOKOLIPS. Mano... Precisa escancarar mais?

Olha a intenção do vilão:

Encontrar a Equação Antevida, com o qual tem a intenção de conquistar o universo e eliminar todo o livre arbítrio.

Livre Arbítrio. Esse conceito tão divino.

Olha de novo essas questões filósofo-religiosas aparecendo.

Nem vou apelar e citar Nietzsche.

É uma dica que vejo reincidir em aulas de literatura.

Há a padronização da estrutura narrativa e também a estruturação da jornada. Não há como não perceber essa reincidência.

Chamo a sua atenção para esses fenômenos humanos. Entre eles a necessidade de criarmos uma imensa gama de exemplo para fazer valer a escola da “ética das virtudes”, nesse caso, usando a literatura para criar exemplos pedagógicos para sociedade.

Perguntamo-nos, em nosso íntimo, se tomaríamos as mesmas atitudes desse ou daquele herói, desde que ele seja um expoente de ilibado caráter, um virtuoso, um escoteiro de colante azul e capa vermelha, ou outro qualquer; vivendo em sua vida fictícia dilemas morais onde o julgamento moral nos assombre graças às consequências do ato de escolher. Como o NEO em MATRIX. Salvar a Humanidade ou a vida da mulher que ama. Nesse caso a escola seria o Utilitarismo? Mas e o CERTO pelo CERTO?

Apesar de servir como modelo à ética das virtudes, o Superman anda ora pela estrada do Utilitarismo ora pela estrada da Deontologia?

Lembrando que segundo o livro de William Irwin:


“O utilitarismo diz que devemos fazer aquelas coisas que maximizem o ‘bem’ no mundo, podendo esse ‘bem’ ser entendido como felicidade, bem-estar ou alguma outra parte valiosa da vida. A deontologia enfatiza a moralidade das ações por si mesmas, sem depender exclusivamente de suas consequências, e é frequentemente colocada nos termos do que é ‘correto’ em vez do que é do ‘bem’. Finalmente, a ética da virtude muda o foco das ações para os atores, descrevendo as características de uma pessoa boa ou virtuosa e depois tomando o que tal pessoa faria como base para a ação virtuosa. Uma simples busca na internet pelas palavras ‘ o que o Superman faria? ’ revela a popularidade da abordagem da ética da virtude.” (IRWIN, 2014, p.12)


E quando Superman volta o tempo na Terra para salvar a Lois Lane no filme de 1978?

É correto mudar o destino de bilhões e salvar apenas aquele humano que você ama?

Mas e as outras mortes que ele não evitou?

Ainda assim ele é um Deus? Ou esses dilemas morais servem para “humanizar” o personagem e trazê-lo para perto dos leitores dos quadrinhos ou livros ou a audiência cinematográfica?

Vocês sabem que eu não tenho resposta para nenhuma dessas perguntas. As fiz aqui apenas para poder dar um gole na cerveja que já esquentou e olhar para a cara de vocês na mesa de bar produzindo aquela expressão de “Sei lá”, que, com certeza, irão fazer antes de formular uma resposta.

Resposta que aguardo ansioso.

Até mais.


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