Philosophus Tavernisticus - Reductio ad Binarium ou a dicotomia cotidiana da polarização

Atualizado: Abr 21


Ontem saiu o trailer do Snyder’cut de Liga da Justiça.

E isso me fez refletir sobre a eterna polarização que rege nossas vidas: Bem e Mal, Fla e Flu, Team Kong versus Team Godzilla, Team Capitão América versus Team Homem de Ferro, Marvel versus DC, Biscoito versus Bolacha, Tostines é fresquinho por que vende mais ou vende mais por que é fresquinho? Arroz por cima ou por baixo do feijão. Nossa... Não dá para enumerar. É um mar de discussões binárias, mas com um palmo de profundidade.

Poxa vida! Esqueci até da questão da semana passada, da literatura fastfood.

Deixa esse tema para a próxima semana.

Deixa-me aproveitar esse Hype do Snyder’cut, rs. Literatura fastfood vai custar mais palavras e tenho que defender alguns pontos interessantes. E semana que vem já aparece outro assunto hypado e perco o bonde.

Então, vamos lá!

Eu fico pensando em como encaixo Tio Patinhas, Mônica, Fantasma e Mandrake nesse embate Marvel/DC.

Talvez as pessoas usem moedas para um cara ou coroa e eu use um D20 para as mesmas questões. Talvez...

Quando era criança eu lia muito o Fantasma, o Espírito que Anda. Era muito bom. Lia Thor, Hulk, Batman, Superman e não me importava com essas coisas de esse ser melhor que aquele.

Mal comparando era como ir à sorveteria self-service pela primeira vez. Colocava tudo no pote e nem ligava se iria derreter e misturar os sabores. Não sou sommelier de sorvete e muito menos de quadrinhos ou qualquer coisa. Eu queria ler, viver as aventuras, passar o tempo, me divertir. E não é isso que importa? Não é isso que sempre fico insistindo? Viver a experiência!

Sobre o Snyder’cut só posso dizer que achei fantástico. Ainda mais sabendo que isso foi uma coisa que se originou na reivindicação dos fãs. Claro que o Snyder soltando uma foto aqui ou outra ali ajudou muito. Acho impressionante essa possibilidade que a internet nos oferece: Fazer chegar aos dirigentes dos estúdios a opinião dos fãs. Antes dependíamos de cartas. Podia até chegar, mas não tinha força. Imagina você aqui do Brasil mandar uma carta para a Warner? Ichi, nem sei como iríamos achar o endereço, rs. Mas hoje temos essa condição. E acho fantástico. Tanto para o bem quanto para o mal. Reclamaram tanto do episódio 8 de Star Wars que no 9 - com medo ou sei lá - , perderam a mão e cometeram aquela tragédia.

Eu achava que a sinalização de mudança no episódio 8 iria nos levar para lugares novos, ideias novas, mas não... Mas isso é outra discussão também, deixa para outra hora.

Sobre a polarização eu tenho ficado tão incomodado que resolvi usar essa ideia em um livro que estou preparando o nome dele é o subtítulo dessa postagem: Reductio ad Binarium ou a dicotomia cotidiana da polarização.

Nós perdemos tantas nuances entre o preto e o branco. Tantas cores, sons, saberes e sabores. Eu nunca tive time de nada, nem de futebol. Quanto ao esporte, eu adoro e assisto a qualquer jogo, aproveito melhor, acredito. Não tenho aquela ansiedade do torcedor. Aquela angústia. Mas entendo o gosto, a torcida. Desde que não impeça a experiência de assistir a um jogo de futebol.

Sei que comparar qualquer coisa com futebol é andar em campo minado, em terreno movediço, perigoso. Entretanto, a comparação é boa. Imagina aquele cara que só assiste aos jogos de seu time, torce, sofre, etc. Mas não admite usar as cores do adversário, muito menos assiste aos jogos (conheço gente assim), se esse comportamento fosse só futebolesco tudo bem, mas não é. Isso afeta a arte, a política, tudo. E O livro vai abordar essa questão. Não vai ser uma dissertação sobre o assunto. Vai ser uma piada. Dois amigos vão passar por várias situações onde a melhor opção é o cinza, mas um deles sempre vai querer preto ou branco e isso vai sempre gerar um resultado ora trágico, ora cômico. Espero ilustrar bem a ideia de que nem tudo pode ser extremo. O caminho do meio deve ser explorado. A vida não é assim? Equilíbrio.

Esse conceito oriental é maravilhoso. Deve ser aprendido. Aguardem o livro! Vai ser divertido e semana que vem prometo falar da literatura fastfood.


P.s.: Essa minha série de artigos de opinião seriam mais legal se vocês comentassem e a gente ampliasse os conceitos dos textos. Escrevam com uma xícara de café do lado para virar um café filosófico, apesar de que o título sugere bebidas mais fortes.


Até mais!


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