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Recessão


Ilustração de Isaac Smith (Unsplash) - adaptado

Não me venha ser pouco

De economia já me basta o bolso

Não sou do tipo que aceita amor-troco

“Dá pra ser em balas, meu senhor?”


Eu quero alguém que seja por inteiro

Aceito o pacote que vier, com a luz e a dor

Só não venha comedido, reprimindo ardor

Só não seja pouco genuíno, medroso de amor

Porque de escassez já basta a vida e seu rigor

Dos sentimentos eu quero tudo, sem pudor.


Do amor, de você

Eu não aceito miúdos

Colheradas, rebarbas, retalhos

Sou muito inteira para metades

Para caber em espaços diminutos.


Nesse universo de racionalismos tolos

Superficial, de contatos fluidos

Nessa selva de corações vazios e duros

Vamos ser subversivos, meu amor

Rebeldes com justa causa: o amor!


Sejamos hipérboles, abaixo aos diminutivos

Sejamos românticos, de que serve o realismo?

Sejamos ardor do sal na ferida exposta

Sejamos poesia, na avenida, alardeada

Sejamos da música a batida apaixonada

Sejamos, escandalosamente, muito

Sejamos humanos, no que há de mais puro.


Vamos chocar todo esse mundo

Amando como se não houvesse público

Não vamos ouvir quem vive pequeno

Vamos transbordar esse nosso excesso

Aqui, amar, não tem corte de orçamento

Não existe recessão de sentimento.

 

Sobre a Autora:

Escritora e compositora paulista, formada em Direito pela USP, largou a profissão para se dedicar ao empreendedorismo e à arte. Desde pequena, tem na escrita e na música a expressão necessária de tudo aquilo que não consegue segurar dentro do peito. Escreve publicamente em sua página autoral Sentimentos Errantes (@sentimentoserrantes) desde 2016, além de ser colaboradora com seus textos em portais da internet. Na música, cantora e compositora com trabalhos lançados nas plataformas de streaming e conteúdo no seu instagram @marian.koshiba

 

Revisão: Danielle Fredini

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