Resenha de O Assassino do Rei, de Robin Robb

Atualizado: Mar 2


Valas em Manaus. Vítimas do Corona Vírus, do descaso do governo, da irresponsabilidade das autoridades, do negacionismo da ciência.
Arte da capa do livro

Certo, vou começar o texto com um grande parêntese: eu tenho uma enorme fila de leitura, e aqui estou eu, fazendo a resenha do segundo livro de uma mesma saga (só esse livro com 732 páginas!). Pior ainda: estou focando em resenhar livros estrangeiros, quando prego a leitura de livros nacionais. Vocês me pegaram. Ou não…

Vamos por partes e, acreditem, isso terá a ver com a minha resenha do livro.

Tenho lido bastante literatura nacional. Estar à frente do Literatura Errante é um prazer, e entre os privilégios deste trabalho, está o de poder ler antes de todo mundo muitos textos maravilhosos, que terminam por ser publicados posteriormente, no nosso portal e na nossa revista.

Quando comecei a ler O Aprendiz de Assassino (leia a resenha aqui), eu sabia que se tratava de uma saga, uma trilogia. Sabia que era uma leitura interessante, pois fora indicada pela minha exigente esposa. O que eu não sabia era o quanto essa autora enreda o leitor tão bem, como ela sabe terminar cada livro tornando verdadeiramente inevitável continuar lendo o próximo!

Sim, esse é o momento que eu admito que o terceiro livro da saga furou a fila de leitura, mesmo com suas mais de 800 laudas. E, não fossem as dificuldades típicas de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e o meu trabalho (não o Literatura Errante, mas o outro), eu certamente já o teria terminado, ou estaria perto. Mas, agora vou deixar esse misto de enrolação e rasgação de seda e vou falar de O Assassino do Rei, o segundo livro da Saga do Assassino, da escritora Robin Hobb.

Muita gente, quando me vê lendo estes livros, se espanta com seus volumes e simplesmente declara ser incapaz de ler. Pior é a reação quando sabem que os livros crescem (sendo o primeiro o menor e o terceiro o maior). O meu comentário sobre isso é que a leitura flui, leve, agradável e envolvente, antes que você sinta o tamanho do livro.

Para quem tem pouco tempo para a leitura do livro, como eu, os longos capítulos chegam a causar um desconforto, pois não há como fechá-los sempre. Mas a quem quero enganar? Termino sempre um capítulo sedento por entrar no seguinte.

Neste segundo livro da saga, Robin Hobb desenvolve e apresenta, de forma orgânica e natural, o universo que construiu. O mistério sobre a Manha e o Talento, formas de magia mais comuns neste universo (mas não as únicas) é pouco a pouco desvendado, de modo que nos deixa mais perguntas do que respostas, a cada passo dado.

A trama instiga a nossa curiosidade, construída de modo que estamos sempre aflitos a saber como o protagonista (e outros) poderá sair de tais e quais situações. Os forjados estão se multiplicando, os saques dos ilhéus estão acontecendo a todo gás. O jovem FitzCavalaria está mais próximo de Veracidade do que nunca, e entra no embate direto com os salteadores. O Rei Sagaz é cada vez mais senil, menos sagaz e, por conseguinte, menos rei, e a sede de poder de Majestoso só cresce. Ao fim, e só isto direi, para evitar spoilers, o desfecho surpreendente certamente te fará especular sobre os destinos de todos, de forma que se você for curioso(a) como eu sou, começar o próximo livro será, no mínimo, inevitável.

As capas dos livros "O  aprendiz de assassino", "O assassino do rei" e "A fúria do Assassino", de Robin Hobb
Saga do Assassino

Para não dizer que sou só elogios ao livro, alguns problemas que escaparam na revisão da versão em português (claro, o livro é inglês, intitulado originariamente The Farseer: Royal Assassin) podem incomodar leitores mais exigentes. Para mim, que sou conhecido por ser chato, é difícil de entender como uma editora grande e tão bem estabelecida deixa passar tantos erros, mas, na maioria das vezes, a natureza ou a magnitude não afeta a experiência. Apenas algum ou outro atrapalha a compreensão do texto, e, num livro com tamanha extensão, penso, é impossível não haver erros.

Em resumo, O Assassino do Rei é, para quem gosta de fantasia épica medieval, uma leitura indispensável, e continua muito bem a saga iniciada no livro anterior, deixando uma verdadeira ânsia pela leitura do livro seguinte. Sigo recomendando a leitura e, espero, trarei a resenha do próximo livro da saga em breve.

Sobre o autor:

Pernambucano, ator e escritor. Escreve em versos desde a infância e entrou de cabeça no universo dos contos e romances em 2009. Escreve em diversos gêneros, desafiando-se regularmente. Tem trabalhos em obras realistas, de fantasia, ficção histórica entre outros. Idealizou o Literatura Errante, inicialmente um blog, e tem batalhado para fazer o Literatura Errante acontecer nos novos moldes.

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Revisão: Tatiana Iegoroff

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