SÉRIE ANTEROS - Abertura Parcial

Na manhã seguinte, Elisa acordou nua no sofá da casa de Danilo, que preparava um café na cozinha. Ao ouvir o barulho na sala, o estagiário foi ao encontro da delegada.

— Bom dia...

Elisa o olhou constrangida, ainda nua, um pouco abaixada pegando as roupas do chão, os seios num movimento que quase hipnotizaram o estagiário. Ficou calada enquanto Danilo ia a seu encontro. Levantou-se com o sutiã na mão e logo foi novamente agarrada pela cintura e beijada pelo colega de trabalho. Depois do beijo continuou calada.

— Não vai dizer nada?

— Dizer o que, Tavares?

— Sei lá, bom dia. — Respondeu sorrindo.

— Pode tirar esse sorriso bobo da cara que já fomos longe demais com isso.

— Elisa...

— Delegada.

— Depois de tudo ainda não posso te chamar pelo nome? Ontem te chamei pelo nome e não fui advertido.

— Desculpa, não é isso, é que...

— Você queria mas não podia acontecer.

— Isso.

— Ah, Elisa, deixa disso, já aconteceu e já passou. Agora vamos tomar café e ir para a delegacia, você ainda tem um caso pra transformar em investigação oficial.

A delegada demorou alguns segundos tensa, mas sorriu e o abraçou.

Na delegacia, Elisa reuniu os investigadores para anunciar a abertura da investigação.

— Bom, não sei se todos já sabem, mas eu e o Tavares estávamos reunindo alguns recursos dos casos e começamos a interligar esses últimos acontecimentos, até que achamos um contrato envolvendo o Saulo e o capataz do prefeito, que foi morto.

— Que contrato é esse? — Perguntou Pereira.

— Aparentemente é um documento comum, mas hoje a viúva do capataz vem aqui e dependendo da conversa que tivermos, abriremos uma investigação oficial. Esse capataz não era do tipo que usava serviços de advocacia, ainda mais de um advogado caro como o Saulo, além daquela defesa dele ao menino que fugiu de mim no dia da posse e tudo mais.

— Não acha que parece pouco para abrir uma investigação? — Retrucou Saldanha.

— Pode ser, mas nada me tira da cabeça que isso é muito maior do que a gente imagina, e se o capataz realmente tiver sido alvo de uma armação, provavelmente o prefeito também está envolvido e...

— Ei, ei, ei, ei... Pode parar, Elisa.

— Delegada, porra!

— Desculpe, delegada — Corrigiu Saldanha — Mas você quer mesmo mexer com isso? Isso é cutucar onça com vara curta... E quem vai se dar mal é a gente. Melhor não arriscar mexer com esse povo, podem até nos matar.

— Pois que matem, mas antes a gente descobre que diabo de esquema é esse.

— Acho que ela não aprendeu com o que aconteceu com o pai... — Cochichou Pereira para Saldanha.

— O que você está cochichando aí, Pereira? Pois saiba que aprendi sim com o que aconteceu com o meu pai, aprendi que temos que lutar contra o crime, independente de quão poderosos são os bandidos... E mais um motivo pra vocês bundas moles trabalharem pra resolver isso é a própria morte do policial de vocês.

— O que? Você quer usar a gente pra vingar a morte do seu pai? Pois saiba que isso aqui não é facção, delegada, é uma corporação de segurança pública... E se acha a gente tão bunda mole porque não vai você mesma prender o prefeito e a máfia dele?

— Se você abrir a boca mais uma vez te mando pra cela. Aqui quem manda é a lei da Constituição Federal Brasileira, não voz de prefeito e meia dúzia de gambé. E se está escrito na lei que é crime, a gente vai investigar e vai fazer o que tiver de fazer e acabou. Agora eu quero todo mundo envolvido nisso e sigilo absoluto até termos tudo pra acabar com essa quadrilha.

Elisa saiu da sala e foi conversar com a viúva do capataz que esperava em seu gabinete.

Sobre o Autor:

Capixaba natural de Ecoporanga, atualmente residindo em Feira de Santana-BA; estudante de Pedagogia, escreve desde criança. Apaixonado por café, criança, história, arte e cultura brasileira. A Arte de Viver foi sua primeira novela publicada, além da coletânea Contos Oh! Ríveis, de humor, estando presente em coletâneas de contos e poemas do Projeto Apparere e contos disponibilizados na Amazon.

O gênero policial vem sendo seu novo foco na escrita, explorando a temática familiar, um prato cheio para discutir as relações da sociedade e refletir sobre as atitudes passionais.

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