Nasce para viver


Cartaz com os dizeres "Sem Justiça não há paz"
Foto de Marek Piwnicki (Unsplash)

A gente nasce pra viver

Sem saber se vai vencer ou perder

O ensinamento vem no sofrer

O homem fecha os olhos pra não ver

O rasgo, o ferimento, o câncer

O Temporal avisando que vai chover


O poético se vê no poço

Entranhando na nossa osteoporose

Que corrói por dentro do osso


Sob a dor

Da loucura de um peito magoado

Rasgado, se decompondo

Apodrecendo por cada inalada

Do cotidiano, desesperada

Sonhando com tal democracia

Mas ao cair no dia a dia

Vê que a melancolia é ditatorial


Sonha no mundo a conquistar

Mas não vê que és o conquistado

És uma das crianças chinesas

Degoladas na frente do Khan


Não és o fogo

Que derruba o império romano

És as cinzas de Roma


Não és a água

Que afunda Atlântida no oceano

És o cascalho afundado


Mas não tenha medo

O mundo ainda é desse jeito

Não existe cantador

Cantando na feira de mangaio

Ou bruxo uruguaio

Que esteja livre de tais maldições


Na tragédia ou no amor

Todos estão aos mesmos portões

Os portões do cemitério

Sobre o Autor:

Pernambucano, ator, produtor cultural e escritor, Luiz Alladin escreve versos desde a infância, influenciado pela família, mas entrou de cabeça mesmo na literatura quando largou a faculdade de ciências contábeis e começou a frequentar os saraus. Hoje ele se dedica em escrever seus textos e a produzir eventos culturais na região onde vive, no interior de Pernambuco, preservando espaços de cultura de resistência.

Revisão: Pamela Giovana Augusto

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