Olhar negro


Fui capturado, cruzei oceanos em navios, não era pessoa, mas mercadoria, que

já se pagava com trabalho gratuito,

os chicotes fariam parte da minha história, tudo por um bronze mais acentuado...


Me sequestro, viajo em trens e ônibus,

não sou gente, apenas crachá e subserviência, que paga resgate atual dando lucro ao patrão,

com atividades mal disfarçadas de escravidão, mesmo

digital, que fazem parte da cor parda,

Nessa vida cinza...


Perco-me na servidão voluntária,

na amnésia de prioridades das "políticas públicas",

não importa minha tonalidade, não passo de preto, pobre e periférico,

mas posso olhar nos olhos do olhar negro da discriminação,

que deseja tirar a alma de quem sou,

quando recuso os afagos das correntes da submissão, sócia do preconceito!

Sobre o Autor:

Luiz Rodriguez, com a vida inaugurada em Brasília, estudou  telecomunicações, espanhol e inglês. Começou a rabiscar textos com cerca de 12 anos, comédia a maior parte.

Descobriu na literatura um mundo à parte, com o qual poderia expressar o que transborda da alma. Sempre com uma lupa em escritores experientes.

Revisão: Jázino Soares

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