A Aldeia dos Magos Escondidos VII

Atualizado: 10 de Dez de 2020

A Mística Ordem dos Magos Arcanos foi fundada em longínquos tempos onde a magia era vivida em sua alvorada pelos homens que a estudavam e escreviam seus segredos em tomos de pele de carneiro.

Não era uma ordem monástica, seus fundadores eram avessos às instituições religiosas. Queriam viver em liberdade.

Liberdade que durou pouco.

Iniciaram perseguições sangrentas. Matavam homens, mulheres, crianças. Alguns eram queimados vivos amarrados a símbolos religiosos dos Credos que pregavam contra a Mística Ordem.

Um desses Credos, A Guilda dos Filhos de Ethoralun, não queria que sua instituição religiosa sofresse com as novas ideias que a Mística Ordem trazia aos povos do Reino.

Mas isso é história para outra noite ao redor de fogueiras.

Adiantando um pouco os fatos, os membros da Mística Ordem transformaram-na em uma Sociedade Mágica Secreta. Só aos descendentes dos Sete Iniciados seriam revelados os mistérios da magia.

Há contadores de histórias que falam, a pouco volume em rodas de conversas, segredos não relatados em narrativas históricas. Escritores palacianos sempre escrevem o que ao Rei interessa. A História é falha, não descreve o todo. São contados os pontos de vista que interessam ao poder vigente ou os que podem manter o poder em vigência por mais tempo.

A Guilda era um culto muito popular, alimentava a esperança dos oprimidos.

Paralelo a isso as outras raças seguiam, cada uma, sua curso histórico.

Muitas lembranças do remoto passado não eram registradas de maneira que as pessoas soubessem ao certo o desenvolvimento verdadeiro dos idos acontecimentos.

Como sempre os registros eram para os poderosos. O conhecimento era passado oralmente para os membros da Mística Ordem. Os iniciados eram os únicos que sabiam da verdade.

Esses relatos são anteriores à Guerra das Três Raças. Tão antigos que se misturaram às lendas contadas ao longo do tempo.

Isso intrigava Silas e Cecília. Ambos conheciam a verdade. Mas não sabiam as intenções dos novos poderosos. Era hora de aprofundar a conversa com Antônio.

– Pois bem, Forasteiro. Conseguiu muitíssimo bem chamar nossa atenção. Temos que escavar esses assuntos.

Antônio sentiu as amarras mágicas que o prendiam afrouxarem.

– Juro não esconder nada. Mas quero saber algumas lacunas dos textos históricos.

– Nem se me ofertasse um mapa de um veio infinito de ouro. – Silas responde automático.

– Sei que tesouro algum é páreo aos seus dons e conhecimentos. Não quero barganhar. Só quero ajudar.

– Ninguém é tão generoso. – Cecília tentava voltar à realidade.

– Sim. Concordo. – disse Antônio virando-se de costas. – Mas isso talvez lhes prove minhas intenções. – O forasteiro levantou a camisa de seda oriental que vestia e mostrou suas costas.

– A Guilda lhe marcou com o Sinal da Penitência. Isso é anterior à Guerra. Mil anos antes. Impossível. Todos os marcados eram da Casa de Rathrion. Você... – Silas não encontra palavras e olha pedindo ajuda à Cecília. Ela também não acreditava no que via.

– Não tenho memórias de como isso foi feito. – revelou Antônio.

– Silas! – disse de sobressalto, Cecília. – Se isso for real, a memória dele foi alterada.

– Meu Senhor da Luz... Realmente precisamos conversar. Isso muda tudo. Vamos para minha casa.

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