A rosa amarela e o beija-flor

Atualizado: Out 2

Um pingo de chuva caiu sobre minha janela. Uma lembrança dela? A rosa amarela, que cultivei com tanto amor. Dor! Desespero! Desamor! Uma simples flor! Que aos fins da tarde, procurava o beijo de outro beija-flor! E Aqui com minha cabeça de aviaria, sem saber que tuas raízes eram tão sanguinárias, achava que seu odor era todo meu, como o meu pico era todo seu. Ilusão de um ser penario, que penava mesmo sem saber, que as pétalas do teu corpo não se deitavam nas penas de um único só ser. Já vai chover! A língua que bebia teu néctar, Também bebia o néctar de outra plumagem sem saber.

Se ao menos fosse um João de barro! Poderia te trancar dentro de casa, te fechar como fecha um jarro, pra assim ao menos aos outros não batesse tuas asas, mesmo sabendo que ia te matar e ao mesmo tempo uma parte de mim também iria morrer. A chuva aumenta mais um pouco! Minhas asas já estão molhadas! Magoadas! Massacradas! Desoladas sem ao menos saber quando é que o sol vai voltar a brilhar! Se ao menos irei conseguir olhar! Estou tão cego, pela dor que acho muito difícil ver alguma coisa!

Eu não posso com a pedra do fogo, que despenca entre dos teus polens lunares, que abraçam e ferem a minha carne crua! Dos bicos que beijam tuas raízes seminuas, a razão do seu criador! Quais são as regras desse jogo? E o temporal que começar a chegar! Derrubando pela frente, assim avisava a ventania, mas não avisava quando essa dor iria ceder! E eu vi o vento arrastar tuas pétalas para o esquecimento das cicatrizes, um lugar onde o tempo não sara, mas também rasga mais.

Sobre o Autor:

Pernambucano, ator, produtor cultural e escritor, Luis Alladin escreve versos desde a infância, influenciado pela família, mas entrou de cabeça mesmo na literatura quando largou a faculdade de ciências contábeis e começou a frequentar os saraus. Hoje ele se dedica em escrever seus textos e a produzir eventos culturais na região, preservando espaços de cultura de resistência.

 
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