Brinquedologia - Parte 2

Todos nós prosseguimos para a porta, descemos a escada após ela e chegamos ao segundo andar. Exageros à parte, pensei que tínhamos entrado no país das maravilhas. Havia pinturas em todas as paredes, de flores e rosas, com um céu azul e límpido ao fundo, nuvens com formas de animais, cartas de baralho distribuídas aleatoriamente e xícaras de diversas cores. O chão era quadriculado com as cores preto e vermelho, com cada azulejo medindo 5x5 centímetros e, quando olhamos para o fim da sala, que parecia não ter fim, vimos que havia algumas figuras altas e imponentes. Nos aproximamos mais para ver do que se tratavam.

Depois de analisar direito, percebemos que eram peças de xadrez, cor de vinho. Cada uma devia ter uns três metros de altura. Agora eu tinha entendido para que serviam os azulejos grandes. Mas não eram as peças convencionais que temos no xadrez comum. Os peões, por exemplo, não eram apenas cones, mas cavaleiros com escudo, espada e armadura. O cavalo tinha não apenas a cabeça igual à de um cavalo, como estamos acostumados a ver no xadrez, mas o corpo também, e havia um cavaleiro montado nele, com uma lança medieval na mão direita. Rei e rainha, ambos sentados em seus tronos e portando seus cetros, majestosos como nunca. A torre, uma incrível fortaleza e o bispo um homem idoso com a sua mitra na cabeça. Nós ficamos embasbacados. Eu fui o primeiro a tocar em uma delas, na do peão. Constatei logo que era feito de porcelana. Pia estava olhando para o teto, onde havia uma gravura belíssima de pombas brancas voando.

— Pombas — disse ele.

— Sim, deu para perceber — respondi.

Eu só havia estranhado uma coisa. Não tinha peças de cor clara para se opor às de cor escura. No xadrez temos dois lados e ali só havia um.

— Tá, então o cara tem peças de xadrez no segundo andar — disse Xila. — Muito útil, não? E agora? Como fazemos pra chegar ao terceiro andar?

Nós começamos a procurar por qualquer maçaneta, tranca ou fechadura que pudéssemos encontrar. Dividimo-nos em duplas e o meu parceiro foi o Pia. Ele insistiu que a chave para destrancar a porta para o terceiro andar estaria em uma das pombas desenhadas no teto, ou então em alguma forma que se assemelhasse a um pássaro nas pinturas das paredes. Ficamos observando cada detalhe das imagens nos quatro cantos e, depois de não conseguirmos encontrar nada, direcionamos nossa atenção para cima. Mas era óbvio que a chave não poderia estar em nenhuma daquelas pombas, afinal havia pelo menos 100 delas. Demoraríamos muito para terminar de checar uma a uma, fora que precisaríamos de uma escada e a única que eu lembrava ter visto era aquela que os guardas utilizaram para checar a cerca elétrica do edifício e ela era pequena demais. Isso gerou uma discussão entre nós.

— Pia, quando é que você vai entender que não dá pra pressionar cada um dos desenhos pra ver se magicamente uma porta vai aparecer por aqui?

— Você está sendo muito teimoso. É claro que dá! Só pegarmos a escada lá em cima.

— E você acha que aquela escada tem a extensão necessária pra alcançarmos um teto que está a 20 metros das nossas cabeças?

Ele hesitou.

— Bom... é que... Não custa nada tentar, não é?

— Ah, você acha, meu bom senhor? Então vai lá, pega a escada e tenta alcançar.

Ele soltou um muxoxo.

— O que você sugere então, ó poderoso Erres?

— Não sei.

— Então por que estamos discutindo sobre a minha tática?

— Simples: porque ela não vai funcionar!

— Por que é que você entrou para este grupo se é tão inútil em trabalhar em equipe?

— Eu entrei neste time porque era a única opção que me restava. E você, seu boçal?

— Pelo mesmo motivo.

A este ponto, todos estávamos soltando farpas, o salão se encheu de discussões desnecessárias.

— Como assim, pelo mesmo motivo?

Pia esfregou o dorso do nariz com o polegar e o dedo indicador, tentando recuperar a calma.

— Pare e olhe ao seu redor. Todos estamos aqui por um vetor em comum, não acha? — perguntou, parecendo mais calmo.

Eu fiquei refletindo por um momento sobre o que ele acabara de dizer, então respondi:

— Todos estão desesperados?

— Não, mas é um bom ponto a se considerar. O que eu quero dizer é que todos fizemos parte de alguma das forças armadas. Eu era da aeronáutica. E você?

— Exército.

Ele apontou para os outros que estavam no salão.

— Todo mundo aqui já serviu as forças especiais um dia. Pode perguntar a qualquer um, eles irão só confirmar o que eu digo.

— Eu só ainda não entendi porque se tornar mercenário foi a única opção que restou a todos.

— Cada um com os seus cada um — disse ele. — No meu caso, tenho uma criação inteira de aves em casa e precisava de uma renda extra pra cuidar delas. E no seu?

“Baixo salário”, eu ia dizer, mas então repensei a resposta e disse:

— Tenho uma família para sustentar.

Pia, por um segundo, pareceu estar prestes a rir, mas então perguntou:

— Sério?

E eu disse:

— Sim.

— Achei que fosse uma piada, mas admito que é um motivo nobre. Mas, Erres, por que de todas as profissões você foi escolher justamente ser mercenário? Quer dizer, por que não algo mais digno? Você quer ter dinheiro de sangue sustentando sua família?

— Era isso ou a vala.

— E o seu salário do exército?

— Não dava para uma família de quatro filhos.

— Os seus filhos sabem que o pai trabalha matando pessoas?

— Não — falei. — Não sabem, não. E é melhor deixar por isso mesmo. Afinal, eu teria feito a mesma coisa no exército. Só não precisei. Mas sabe-se lá quando eu precisaria.

— Bom, até que faz sentido, a gente tem que usar as peças que tem, não é verdade?

— É... — eu disse, mas me interrompi. Fiz um sinal de pare com a mão para o Pia. Algum pensamento passou pela minha cabeça. Olhei para a outra ponta do salão, aquela que não tinha nenhuma peça, e olhei de volta para as peças altas. — Espera... Fala mais uma vez isso que você acabou de dizer.

— A gente tem que usar as peças que tem?

— Isso — eu falei, ainda tentando achar aquele pensamento que me cruzou a mente. — Talvez seja isso! Ô, pessoal!

Todos olharam para a minha direção.

— Venham comigo, vamos tentar empurrar a peça do rei.

Todos nos reunimos em volta do rei e empurramos o mais forte que conseguimos, até que, por fim, a peça começou a se mover bem devagar. Quando terminamos, vimos ali algo que se diferenciava do resto dos azulejos. O piso era da cor branca e (“olha só!”, disse o Pia) havia uma aldrava em uma forma ali. Puxei-a, levantando o azulejo, que se revelou ser um alçapão, e vimos outra escada.

— Aê, porra! — disse o Malandro. — Bora descer.

A escada, desta vez, era mais estreita e não tinha corrimão. Nós prosseguimos com cautela e, quando chegamos ao final dela, nos deparamos com uma sala com estantes cheias de bonecos de ventríloquo. Era uma coleção infinita deles, cada um de um tipo. Havia os palhaços, os que usavam terno, os idosos, os jovens, as que eram mulheres, os que eram bebês e por aí vai. Todos, obviamente, eram assustadores. Nunca gostei de ventriloquismo, e ver aquele cenário deixou-me um pouco desconfortável. Mas, aparentemente, o resto do pessoal não ficou nem um pouco chocado. Pareciam já esperar por coisas sinistras, o que era até compreensível, depois de termos visto marionetes medonhas penduradas.

Três paredes da sala eram cobertas de estantes repletas desses bonecos, exceto a parede à nossa frente. Lá havia três câmaras brancas, podíamos ver através dos vidros. E, do lado esquerdo dessas três câmaras, havia uma porta. Fiquei extremamente confuso, perguntando-me o porquê de essas pequenas câmaras, que mais pareciam aquelas salas de manicômios, estarem ali. Começamos a procurar por qualquer coisa que nos levasse para o próximo andar e pude ver, pelas expressões consternadas dos meus colegas, que eles já estavam de saco cheio de ter que procurar por portas. Foi quando eu vi que no meio da parede da esquerda, havia um dos bonecos que estava com a boca aberta, sendo que todos os outros naquela sala estavam com a boca fechada. Eu pensei “Por que não?” e fechei a boca do boneco. Assim que fiz isso, aquela parte específica, o meio da parede, começou a se abrir para fora, como uma porta, fazendo um som de engrenagens girando enquanto se abria e, atrás dela, havia uma passagem com outra escada, mas antes de pisarmos no primeiro degrau, a passagem pela qual havíamos entrado naquela sala começou a ser fechada por outra estante.

Porém notei uma diferença: na estante que se fechou não havia nenhum boneco com a boca aberta. Todos estavam com a boca fechada, o que fez eu me perguntar como faríamos para voltar por onde viemos. Será que teríamos que abrir a boca do boneco de novo? Eu testei isso. Fui até o boneco e abri a boca dele, mas nada aconteceu.

— Alguém trouxe C4 aí? — perguntei.

— Negativo — responderam todos.

— Vai ser difícil sair daqui, então.

— Por quê? — perguntou o Chefe.

— Porque eu testei abrir a boca do boneco de novo e nada aconteceu.

— Deve ter algum outro jeito.

— Pois é. Mas vamos deixar isso para mais tarde. Por enquanto vamos andando.

— Afirmativo — disse ele.

Nós fomos pela passagem e descemos a próxima escada.

Demos numa sala onde não faltavam miniaturas de aviões. Havia de todos os tipos, entre madeira, lata e muitos outros. Os aviões variavam entre os da aeronáutica e os de passeio. Eles estavam pendurados por linhas no teto, em estantes, em vitrines e assim por diante. Na parede oposta a nós havia uma imagem enorme do Santos Dumont. A pessoa que se sentiu um pouco orgulhosa ao ver tudo aquilo foi o Pia, mas o Beta também pareceu ficar admirado com tudo ao redor. Desta vez nós não fazíamos ideia do que apertar ou puxar para abrir a porta que nos levaria ao próximo andar. Ela estava à vista de todos, mas quando a tentamos abrir, estava trancada. Beta puxou-me de lado e disse:

— Há algo que devemos perceber aqui desta vez?

— Do que você está falando?

— Você é o cara que descobriu as duas últimas portas. Tem alguma ideia do que fazer agora?

— Ainda não. Mas é melhor ser cauteloso.

— O que você quer dizer?

— As duas últimas passagens foram fáceis demais de achar.

— É, acho que foram sim. Mas e daí?

— Eu estou com um mau pressentimento sobre isso tudo.

— Somos dois, então. Mas preciso admitir uma coisa: essa coleção toda é de tirar o chapéu. Olha só os detalhes deste aqui. — Ele apontou para um dos aviões da aeronáutica que estava numa vitrine, eu não sabia que modelo era aquele, mas era todo camuflado e tinha a numeração 99 escrita em branco, na lateral.

— Com certeza é bem impressionante. Você era da aeronáutica, igual o Pia?

— Sim, na verdade foi o Pia que me apresentou a este grupo, nós éramos do mesmo batalhão. Eu era um tanto quanto rebelde durante o tempo que servi na aeronáutica. Não conseguia acatar ordens dos meus superiores e fazia as coisas do meu jeito. Já perdi as contas de quantas vezes fui preso por isso. Foi algum tempo depois da minha 14ª prisão que o Pia me mostrou uma oportunidade nova, este time. Tenho mais liberdade de escolhas aqui, não preciso seguir as ordens meticulosamente. O Capitão dá ordens, mas espera que nós façamos do nosso jeito.

— E quanto ao protocolo que ensaiamos para hoje? Você teve que agir de acordo, não teve?

— Sim, mas mesmo assim, aqui é diferente. Consigo me sentir eu mesmo.

— Entendi.

Xila chamou a todos. Ela apontou pra imagem do Santos Dumont na parede.

— Não tem algo aqui que parece um pouco distinto do resto da imagem?

— Os olhos? — perguntou Fumaça.

— Sim. Vê como estão se sobressaindo?

— É verdade — disse Beta.

— Então, o que a gente faz? — perguntou Pia.

— Podemos tentar pressioná-los — falou Xila.

Ela e Pia pressionaram os olhos da imagem e deu certo! Ouvimos um barulho de tranca e conseguimos abrir a porta, cuja escada descia em espiral.

Após descermos, senti um frio na barriga, algo parecia não estar certo. Na verdade, não foi a última sensação que tive durante todo o acontecido. A sala seguinte, após as escadas, tinha carros de tudo quanto era modelo. Desde os de coleção, em miniaturas, até os maiores, de controle remoto. Eles estavam, assim como na outra sala, em estantes e vitrines. Havia também tanques de guerra e veículos militares em miniatura e outros do tamanho de um antebraço e da grossura de um livro robusto. Havia uma imagem de Karl Benz em uma das paredes e a sala era enorme, você poderia colocar uma mesa de jantar, daquelas longas, e ainda assim sobraria espaço para colocar mais coisas. A porta seguinte estava à nossa esquerda. Começamos a revirar o lugar e Xila juntou-se a mim. Ela parecia estar incomodada com alguma coisa, ou pelo menos era isso que aparentava, ela não parava de olhar para os lados. Perguntei a ela se estava tudo bem, e ela disse que sim, apenas estava admirando a sala. Mas logo após dizer isso, ela se desmentiu, dizendo:

— Na verdade, alguma coisa está me incomodando.

— E o que seria isso? — perguntei.

Ela me contou que uma vez havia sonhado que um tanque de guerra enorme estava a perseguindo e que, no sonho, o próprio Hitler estava com metade do corpo dentro e a outra metade fora do tanque, fazendo um sinal nazista. Ela me contou que o sonho foi tão assustador que a deixou sem dormir por três dias.

— Então, você acha que Hitler vai aparecer aqui?

— Não, mas sinto que alguma coisa não está certa. Como se não devêssemos estar aqui. Você não chegou a sentir isso?

— Na verdade, sim. Mas voltando ao assunto, o que você acha que causou esse pesadelo?

— Acho que foram as diversas vezes que assisti a filmes de guerra com meu pai. A imagem do nazismo ficou marcada na minha memória.

— Então é realmente péssimo, hein! Você nunca chegou a servir alguma das forças armadas como os nossos camaradas Beta e Pia?

— Eu fiz parte do exército. Você também, certo? Ouvi você e o Pia conversando.

— Sim, é verdade. E por que você abandonou o exército e resolveu se tornar mercenária?

— Eu sempre busquei por adrenalina. De tanto ver aqueles filmes com meu pai, eu achava que iria me encontrar dentro do exército, sabe? Ter momentos dignos de filmes. Mas infelizmente não foi assim que aconteceu. No fim das contas eu acabei sendo a mulher que carimbava documentos. Mas aqui, ah... Aqui é outra coisa. É empolgante.

— Entendi. Mas, mudando de assunto, já notou alguma coisa aqui que possa nos levar ao próximo andar? Foi você quem descobriu a última passagem.

— Ainda não consegui ver nada.

Ficamos um bom tempo ali. Olhei no meu relógio, eram seis e meia da tarde. Eu fiquei por um fio de desistir da missão, pois já estava ficando entediado, quando Controle nos chamou:

— Olhem só isso — disse ele, apontando para o último tanque de guerra em miniatura da sala. — Está escrito quatro. — E vejam estes. — Ele apontou para outra miniatura de tanque, esta que estava no meio da parede da direita da sala, depois ele apontou para outro que estava no meio da parede da esquerda e para outro que estava no início da sala. Eles, respectivamente, estavam enumerados em 3, 2 e 1. Todo o resto não tinha numeração.

— E daí? — perguntou Xila. — Aonde é que você quer chegar?

— Pode ser que tenhamos que ativá-los de alguma forma.

— Mas teríamos que quebrar as vitrines — falei. — E se fizermos isso, pode ser que algum alarme comece a tocar e nós fiquemos trancados aqui.

— Bom, não custa nada tentar, não é? — redarguiu Controle.

Eu fiquei com a última miniatura, Xila ficou com a da direita, Malandro com a da esquerda e Controle com a primeira. Nós quatro quebramos as vitrines com a coronha das nossas armas, mas nenhum alarme disparou.

— E agora? — gritei.

— Abram as escotilhas — Controle respondeu.

Nós fizemos como ele nos disse e vimos que por baixo das escotilhas havia um botão vermelho.

— Viram só? Eu estava certo! — disse Controle.

— Tá, tá, a gente já sabe — falou Xila. — Suponho que agora vamos ter que apertar os botões ao mesmo tempo.

— Isso aí! Ok, pessoal, no três. Um, dois, três!

Pressionamos os botões e esperamos. Por quase cinco segundos, nada de interessante aconteceu, mas então ouvimos um rangido baixo, parecia de algum mecanismo se ajustando. De repente, confetes voaram dos tanques cujos botões nós pressionamos, com um barulho alto que me pareceu o de uma arminha de chumbo atirando balas de festim. Tive um sobressalto com o susto que tomei, mas logo fiquei aliviado quando ouvimos um barulho de tranca. O Chefe foi checar se a porta estava aberta e, para a nossa sorte, estava.

— Vamos lá — disse ele.

Prosseguimos, andando em fila indiana, descemos a escada seguinte e, desta vez, a sala seguinte tinha navios em vez de aviões, carros e tanques de guerra. Estavam dispostos da mesma forma que nas outras salas, em vitrines, estantes e tudo mais, com o único diferencial que a imagem que estava na parede à nossa frente era de um enorme navio, com o título “Titanic” embaixo. A porta estava à vista de todos, mas desta vez parecia a porta de um cofre de banco, pois era de aço e tinha uma válvula. Fumaça chamou-me:

— Tenho ótimas memórias disso — ele falou.

— Disso o quê? — perguntei.

— Da marinha — ele respondeu. — Eu cuidava da caldeira do navio. Sabe como ganhei o apelido de Fumaça?

— Como?

— Um certo dia eu estava morrendo de sono, acabei dormindo durante minha checagem da caldeira, até hoje não sei o que aconteceu dentro dela, mas tudo acabou pifando e pegando fogo. A sala da caldeira se encheu de fumaça, mas eu não acordei nem pra tossir. Quando meus colegas vieram me buscar, ficaram impressionados por eu estar dormindo numa hora como aquela, perguntaram-me o que havia acontecido e eu disse que não tinha a mínima ideia; pra resumir a história, fui despedido da marinha por desonra à pátria.

— Caralho, que história maluca! — exclamei.

— Caralho mesmo — disse ele e começou a rir.

— Mas achei que seu apelido vinha da sua capacidade de se sair bem em situações de risco.

— Ah, tem isso também, digamos que é cinquenta por cento de um e cinquenta por cento do outro — disse ele. — Mas, venha, vamos procurar um jeito de abrir a próxima porta.

— Opa, espera aí! E sobre as ótimas memórias? O que você acabou de descrever parece mais uma memória trágica para mim.

— Bom, tudo o que aconteceu antes disso foram as ótimas memórias. Sempre fui um soldado exemplar até aquele fatídico dia. Mantenho contato com os meus colegas, mas eles não sabem da minha atual profissão e, pra te falar a verdade, eu prefiro que não saibam, é melhor assim.

— Entendi. Deixe-me te perguntar: você por acaso sentiu uma coisa estranha no ar, como se algo estivesse errado?

— Eu achei que tinha sido o único que tinha sentido isso.

— E não é só isso — eu disse. — Tenho a impressão de que meu relógio está marcando a hora errada. Olha aqui — mostrei a ele —, seis e trinta e cinco. Não pode estar certo. Desde quando entramos no Bosque das Traças até agora, já deveriam ser sete e dez ou algo assim, nós tomamos muito tempo.

Chamei todo o pessoal e falei:

— Chequem os seus relógios, qual é a hora indicada neles?

— Sete e quarenta e cinco — disse Fumaça.

— Seis e vinte! — disse Pia.

— Sete e quarenta — disse Xila.

— No meu são... espera, oito e dez? — disse Beta, embasbacado. — Não pode ser tão tarde assim.

Cada um falou as horas que eram mostradas no visor de seus relógios. Malandro tinha um relógio de bolso dourado, ele se achava um cara fino e pensava que ter um relógio desses o tornava mais charmoso.

— Sete e quinze — disse ele.

— Seis e vinte! — disse Pia.

— Oito em ponto — falou Panela. — Mas que porra é essa?

— Seis e trinta e cinco — falou Controle.

— Dez para as nove — disse o Capitão.

— Isso tem que ser algum tipo de interferência aqui embaixo, só pode ser — disse Panela.

Olhei no meu relógio digital de novo. Não consigo achar algo que explique o que aconteceu naquele momento, mas os números estavam sendo substituídos a toda hora por outros números, letras e sinais. Falei para todo mundo checar seus respectivos relógios novamente e eles atestaram a mesma coisa, surpresos com o que estavam vendo. O relógio do Malandro, vi depois, estava com os ponteiros indo para a esquerda e para a direita, cada um numa velocidade diferente.

— Como assim? — perguntou Controle. — Eu jamais vi tal coisa em toda a minha vida, e eu trabalho com programação!

— Pessoal, não se desviem do foco — disse o Capitão. — Talvez seja uma artimanha dos mecanismos deste lugar para nos assustar. Mas é apenas isso, o nosso alvo tentando nos amedrontar. Alguém aqui já conseguiu achar um meio de passarmos por esta porta? Já tentaram abrir a válvula?

Panela tentou abri-la, mas sem sucesso.

— Nada. Está dura como uma pedra — disse ele.

— Merda! — grunhiu o Chefe. — Tem que ter alguma coisa que faça essa droga de porta abrir!

— Espera aí, Capitão — falou Controle. — Tem algo escrito embaixo da palavra Titanic. Só que está um pouco empoeirado. — Ele então passou a mão para tirar a sujeira e lá estava escrito “Toque na imagem”. Controle assim o fez e, como que por mágica, a imagem começou a se mover. Juro de pés juntos que aquilo não era um filme exibido por um projetor. A própria imagem começou a se mover! Era o Titanic navegando nas águas da foto, havia luzes que saíam das janelas, uma música clássica começou a tocar e vimos pessoas em trajes elegantes conversando e dançando. Até que, por fim, apareceu um iceberg vindo da direita, e o barco se chocou contra ele, naufragando a tudo e a todos. Não tínhamos palavras para descrever aquele evento, na realidade, alguns até tentaram achar uma explicação lógica, mas ninguém era capaz de explicar aquilo.

— Só pode ser um filme, um filme gravado — disse Controle. Ele estava respirando muito rápido, assustado. Coloquei a mão no ombro dele e falei:

— Acalme-se.

Ele afastou minha mão e começou a dizer que aquilo não era possível, que estávamos sendo vítimas de alguma pegadinha, que tinha de haver câmeras escondidas nas estantes ou nas vitrines com os barcos. Mas não havia nada. Alguns segundos depois ele se acalmou, mas continuava aflito.

— Eu trabalho com lógica e aquilo — ele apontou para a imagem — não tem lógica nenhuma!

— Também achamos isso, mas você tem que se acalmar — disse Panela.

— Apenas me dê dez minutos.

— Está bem.

Nós esperamos e Controle finalmente se acalmou.

— Panela — disse ele. — Agora que vimos essa porcaria de filme, dá pra ver se a válvula gira?

— Vou checar — disse Panela.

Ele tentou girá-la, mas ela não se moveu. Após outra tentativa, ela finalmente cedeu e girou.

— Finalmente, cacete! — disse Controle.

Nós todos entramos pela porta e descemos outro lance de escadas, que nos levou a uma sala com bonecos animatrônicos que eram do nosso tamanho. Todos eram animais, porém estavam em pé. Vi um coelho com um tambor pendurado no pescoço por uma cinta de couro, com as baquetas nas mãos. Outra era uma zebra com uma guitarra e óculos escuros. Tinha um jacaré com o microfone na mão, um papagaio com um pandeiro, entre muitos outros animatrônicos que me causaram certo desconforto.

Formávamos um quase círculo no meio daquele monte de bichos humanoides. O que mais incomodava era a combinação dos olhos gigantes com os dentes das bocas, parecia até que eles poderiam de fato arrancar o seu braço ou a sua perna. Fiquei perguntando-me se eles iam começar a se mover a qualquer momento e tentar nos matar, mas, para meu alívio, nada disso aconteceu. Controle parecia estar mais calmo, porém um pouco ansioso. Seus lábios estavam se mexendo, então percebi que ele estava conversando com ele mesmo e, pelo seu semblante, imaginei que ele estivesse pensando em algo muito importante.

— Controle, você está bem? — perguntei.

— Estou bem, estou bem. Só estou tentando imaginar o que de fato era aquela imagem que vimos se mover. Não havia nenhum projetor ali, mas tem que ter algum truque escondido. Tem que ter!

— Fique calmo. Pode ser só um novo tipo de tecnologia. Quem sabe o quadro no qual a gravura estava fosse apenas uma tv touch-screen que foi instalada para dar a impressão de que é apenas uma gravura?

— É... sim, pode ser isso!

— Viu só! O que a tecnologia não faz hoje em dia — disse Malandro.

— E outra, estamos aqui faz um certo tempo — falei —, pode ser que o isolamento esteja fazendo mal às nossas cabeças, só precisamos manter a calma e não nos surpreendermos com nada que vermos.

— É, mano, não tem por que ficar preocupado — disse Fumaça.

— Este lugar é só um pouco incômodo — falou o Chefe. — Mas, tirando isso de lado, alguém aí já conseguiu descobrir como abrir a porta deste lugar? Aliás, alguém aqui viu a porta?

Todos abanaram a cabeça em negação.

— Se ela estiver aqui, está muito bem escondida — disse Panela.

De novo eu tive aquela sensação de que algo estava errado, só que dessa vez um pouco mais forte. Eu costumava sentir esse tipo de coisa quando era pequeno, mas nunca naquela intensidade. Era como se eu estivesse fora de mim, ou melhor, como se eu não tivesse controle do meu próprio corpo, eu estava dentro de mim, mas fora ao mesmo tempo. Sabe aquela sensação que temos quando estamos bêbados, de que tudo passa rapidamente e a gente não tem nem tempo de parar para observar os rostos das pessoas e nem onde estamos? Pois é, era mais ou menos isso que estava acontecendo comigo.

E não só isso, os animatrônicos pareciam maiores, suas sombras se avolumavam sobre nós, os dentes de mentira pareciam de verdade em suas bocas de mentira que também pareciam de verdade. O que mais dava medo, de todos eles, era o jacaré. Os fundos da sala estavam escuros, pois os lustres que os iluminavam estavam com mal funcionamento, mas por sorte Panela tinha uma lanterna que ele sempre guardava para situações como aquela. Ele a retirou do bolso e iluminou o local.

Como todo o resto da sala, havia vários animatrônicos, alguns com poeira e outros até com teia de aranha dentro de suas bocas escancaradas e, ao final da sala, bem no meio da parede, havia uma banda com três deles em um pequeno palco: uma lebre, uma marmota e uma lontra. A marmota estava com um microfone na mão, a lebre tocava uma guitarra e a lontra portava uma flauta. Quero dizer, “seguravam” os instrumentos é uma maneira melhor de dizer, pois não havia nada ligado, portanto, elas não se movimentavam. Por trás das figuras, na mesma parede, havia um arco amarelo com várias estrelas ao longo dele. Panela nos chamou.

— Aqui, pessoal! Tem um fio saindo do palco.

Nós fomos até ele, e ele iluminou o fio. Começamos a seguir o seu trajeto até chegar a uma tomada que estava desconectada do fio. Panela olhou para nós, como que se nos perguntasse o que fazer em seguida.

— Tá esperando o quê? — disse Fumaça. — Pluga esse baguio!

Panela assim o fez, e eis que as estrelas, o arco e três lâmpadas distribuídas na beirada do palco se iluminaram, os olhos dos animatrônicos brilharam com uma luz avermelhada e os três começaram a mover os braços e as mãos daquela forma robótica que animatrônicos se movem, para cima, para baixo, para a esquerda e para a direita, e a cantar uma música infantil. Pela letra, pensei que estavam cantando sobre peões, daqueles de madeira que você enrola num barbante e depois solta para ele ficar girando. A letra da música era mais ou menos assim:

“Ora, ora, vejam só,

Vejam só o que é que é:

Vai rodando, vai girando,

Roda, roda, roda pé”

Pode ter sido pelo tempo em que ficaram em inatividade, ou talvez porque eram velhos mesmo, mas a voz que saía de cada um deles era distorcida e enferrujada, os movimentos que eles faziam eram travados. Isso contribuiu mais um pouco para que nos sentíssemos inconfortáveis com todos os outros personagens eletrônicos que nos cercavam. Mas, para o nosso alívio, ouvimos um barulho de engrenagens vindos da parede do outro lado, era um barulho alto, pois atravessou toda a extensão de 100 metros da sala e alcançou nossos ouvidos. Dirigimo-nos apressadamente para lá e percebemos que havia uma parte da parede que não estava mais lá. Agora, havia um simples vão entre dois animatrônicos que pareciam nos convidar a entrar, estavam com as mãos apontadas na direção do vão, como se dissessem “Bem-Vindos!”.

Nós passamos por entre eles, adentrando o vão que nos levou a um escorregador que passava por um grande breu, ziguezagueando algumas vezes. Eu fui o primeiro a ir e já estava pensativo, perguntando-me quando é que veríamos a luz do dia novamente, até que tudo começou a clarear aos poucos. A primeira coisa que eu vi foi um lustre gigante que enchia todo o ambiente com uma luz dourada. Depois olhei mais para baixo e vi bonecos e bonecas que enxiam prateleiras com vitrines. Havia de todos os tipos e todos os gostos.

Vi bonecos de super-heróis, bonecas de plástico e de porcelana com roupas do século XIX que vinham com um conjunto de chá, soldadinhos de guerra e soldadinhos de chumbo da época imperial do Brasil, com seus uniformes resplandecentes; havia bonecos robôs, daqueles que carregam uma miniatura de metralhadora em uma mão e uma espada que é quase do tamanho do seu corpo na outra. À medida que eu deslizava por aquele escorregador que parecia não ter fim, mais maravilhado eu ficava com tal coleção de brinquedos. Era de cair o queixo.

Quando cheguei ao final e me pus de pé, não resisti em pegar um daqueles soldadinhos de chumbo e admirá-lo por algum tempo enquanto os outros integrantes do grupo terminavam de descer pelo escorregador. Eu queria levá-lo comigo para guardar como lembrança daquela missão, mas eu não tinha bolso, nem uma mochila ou algo para carregá-lo. A primeira que se juntou a mim foi Xila. Ela pegou uma daquelas bonecas e ficou admirando-a por um longo tempo. Depois vieram Fumaça, Malandro e Pia, que se abaixaram e ficaram vidrados nos soldadinhos de guerra. Logo em seguida chegaram Panela, Beta e, por último, o Chefe. Eles ficaram olhando para os robozinhos e também para aquelas caixinhas de surpresa que você gira a manivela e uma musiquinha começa a tocar até que um palhaço ou um bobo da corte saia e te dê um susto. Xila também ficou encantada com uma caixa de música que tinha uma bailarina. Ela ativou algo bem na lateral da caixinha e a bailarina começou a girar em 360 graus enquanto uma musiquinha tocava. Mas a bela sinfonia foi interrompida por um questionamento do Chefe.

— O que está fazendo?

— Só dando uma olhada, eu sempre quis ter uma dessas quando era criança.

— Agora não é hora pra ficar admirando. Precisamos avançar o quanto antes.

— Certo.

O Chefe olhou o seu relógio de pulso e enrugou o semblante.

— Meu relógio continua quebrado. Está indicando várias horas sem parar. E o de vocês?

Todos confirmaram.

— Mas onde está a próxima porta? — perguntou Beta.

— Gente, olha só isso aqui — disse Controle, da outra ponta da sala, a qual estava repleta de brinquedos, menos em um espaço, no qual havia uma porta. Quando chegamos mais perto, vimos que havia um painel com números de 1 a 9 ali e, no visor logo acima, havia espaço para quatro números.

— Se eu tivesse trazido minha lanterna de luz ultravioleta, seria fácil descobrir qual é a combinação, mas não achei que fossemos precisar — disse Controle.

— Que maravilha! — resmungou o Chefe.

— E eu também poderia tentar hackear o sistema central dessa espelunca, mas deixei meu laptop no bosque.

— Mas que dia — falou Fumaça. — Eu já estou mais puto do que quando fui motoboy em São Paulo. Não tenho claustrofobia, mas não gosto quando as coisas demoram a acontecer. Tenho uma certa tendência a explodir nessas horas.

A musiquinha então parou, e foi nesse momento que ouvimos um barulho de tranca se abrindo e, quase na mesma hora, ouvimos uma voz que saía de algum lugar. Essa voz possuía a delicadeza gentil e cautelosa de uma pessoa de idade. “Prossigam”, disse. “Abrirei as outras portas para vocês”. Prosseguimos até a porta e conseguimos abri-la. Descemos mais um lance de escadas, desta vez bem mais longo que os outros.

A sala seguinte era a mesma coisa da anterior, contendo todos os brinquedos das salas anteriores e até mesmo jogos de tabuleiro. Havia uma miniatura de moto que roubou toda a minha atenção, chamas estavam desenhadas na lateral dela. Tentamos abrir a próxima porta e conseguimos. Até que, depois de descer vários lances de escadas, chegamos à décima sala.

Era uma sala pequena, vazia de cor e de luz. Parecia não estar finalizada, com andaimes de madeira e colunas de ferro ainda expostas, lonas cobriam algumas partes da sala aqui e ali, assim como teias de aranha. No meio da sala havia um projetor e 10 metros atrás dele, na única parte iluminada daquela sala, estava um pequeno escritório que não fazia divisa com o resto da sala e tinha três estantes repletas de miniaturas de bonecos de ação. Sentado à mesa, encontrava-se ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Arthur. Ele mexia no seu longo bigode com uma mão e repousava a outra na sua mesa. Estava nos observando.

Ele fez um gesto com o seu dedo indicador, chamando-nos. Quando todos começamos a nos mover, ele disse “Venha apenas aquele a quem vocês chamam de Chefe”, e obedecemos. Não sabíamos bem o porquê de estarmos seguindo uma ordem do nosso alvo, mas parecia fazer sentido o obedecermos naqueles seus últimos momentos.

— Vá em frente — ele disse, apontando para o projetor. Não sei se estava falando comigo ou com todos nós. — Toque-o.

Eu fui em frente, como ele pediu, e coloquei para tocar um filme em preto e branco que já estava lá. Havia uma tela na parede daquela sala, mas eu não havia percebido até o projetor jogar sua imagem nela e, de algum lugar da sala, uma música singela, que me lembrou minha infância, começar a tocar, acompanhando a filmagem que nos era mostrada. Parecia tratar-se de um pai e seus dois filhos. Um deles tinha nas mãos um avião de madeira, enquanto o outro brincava com um trenzinho de vapor. Entre eles, havia um homem que identificamos como sendo o Cortês, só que um pouco mais jovem. Ele via essas duas crianças brincarem enquanto sorria. Ele olhou para a tela e movimentou a mão em um “tchau” e seus filhos fizeram o mesmo. Acho que quem fazia a filmagem era a esposa, mas não consegui dizer. A duração foi de mais ou menos 30 segundos, mas foi o suficiente para que um sentimento de culpa se abatesse sobre mim.

De repente, eu não queria mais matar o nosso alvo, porém, quando me virei, vi o Capitão segurando um lápis sobre a mesa, apontado para cima com uma mão e com a outra ele segurava a cabeça do Solene. Então, com toda a violência que conseguira reunir, empurrou a cabeça dele em direção ao lápis, furando o olho dele e matando-o. As únicas coisas que eu fui capaz de gritar foi “Capitão, espere!”, mas já era tarde demais. Uma poça de sangue inundou a mesa, e aquele foi o fim de Arthur Cortês Solene da Silva.

Imediatamente fui até o Capitão:

— Por que você não esperou? — perguntei.

— Esperar pelo quê?

— Esquece — falei soltando um muxoxo. — Sobre o que vocês conversaram?

— Ah, ele me falou alguma coisa sobre deixar um legado para as crianças do mundo inteiro.

— E...?

— E foi isso. Parecia que ele queria que eu soubesse disso.

— Mas ele não disse mais nada? Quero dizer, sobre a filmagem?

— Não. Ele só me pediu para não destruir este lugar. E, por falar nisso, estou me sentindo claustrofóbico aqui. Reúna a equipe e vamos meter o pé daqui.

Chamei a todos e, quando nos reunimos de frente para a escrivaninha, sentimos algo estranho no ar, como uma pesada onda de energia negativa, foi então que uma musiquinha começou a tocar em algum lugar. Quando olhamos melhor, vimos que vinha de uma caixinha de surpresa em cima da escrivaninha. Estranho, pensei. Não lembro disso estar aqui. O Capitão aproximou-se da caixinha, bem devagar, e pegou-a. Ele olhou para nós, sorriu e sacudiu de leve a caixinha na mão, de modo zombeteiro. Agora, meus caros leitores (se é que este depoimento vai ser lido por alguém), todas as coisas que irei relatar aqui ainda me assombram de dia, em lembranças, e de noite, em pesadelos. Já perdi a conta do número de vezes que acordei gritando de madrugada. Não espero que acreditem em tudo que eu contar, mas apenas leiam e reflitam.

Pois bem.

Pablo Vieira Neves nasceu Rio de Janeiro, onde viveu até os 14 anos. Vive em Varginha-MG, desde então. ​Inspirado em um jogo de videogame chamado Alan Wake, passou a escrever. Escreve desde então por diversão. Publicou em no Wattpad (conta deletada, atualmente), no Recanto das Letras e também publicou em uma feira literária, em Varginha.

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