Constância

Não. Não é sobre uma mulher. Poderia ser, até... Mas nesse caso não é. Aqui trataremos a constância como aquela coisa que faz diferença em tudo, desde aprender um instrumento e ou fazer uma dieta. Coisas óbvias que ninguém dá bola.

Pensando em meus textos lá do começo, vou aqui continuar as dicas sobre minhas maneiras de trabalhar a escrita.

Primeiro devo dizer que escrever semanalmente para o Literatura Errante já atende a alguns princípios que tento seguir. Um deles é manter um ritmo, uma frequência, uma constância, oxi! Olha ela aí de novo.

Como já devo ter falado anteriormente, sou músico, estudei violão erudito e tal, mas enveredei pela literatura. Há uma coisa que podemos estabelecer como um paralelo, nas duas expressões artísticas, a ideia de que treinar facilita o aprendizado. Não. Não é decoreba ou adestramento. É desenvolver uma familiaridade ou intimidade com o processo. Não adianta saber vários termos em inglês; infodump, cliffhanger, storytelling, plot, plot twist e saber todas as etapas da Jornada do Herói. Não adianta se você não escrever, não se arriscar, conhecer pessoas, amar, ter raiva, se frustrar, viver. Ah! E ler muito. E claro, com constância. Já falei sobre observação e coletar um repertório de vivências. Mas se não sentar e escrever não adianta nadinha de nada.

Esqueça todas as regras e todas as dicas, mas sente-se e faça alguma coisa.

Escreva, leia, leia em voz alta, leia depois de uma semana. Estabeleça prazos, mas não deixe de escrever. Faça rascunhos, tenha um caderno por perto, escreva à mão, à máquina ou no teclado do computador. Mas escreva. Rasgue as amarras da sua alma assombrada e conte seus medos, suas angústias, misture ficção à realidade em que vive. Imagine-se diferente, ou desabafe. Deixe seus fantasmas ditarem suas palavras. Desnude-se. Na pior das hipóteses alguém vai ler e achar bom ou ruim. Mas você não vai perder uma perna por isso. Eu acho...

Escreva para você em primeiro lugar. Sempre você será a primeira e mais sincera audiência. A mais verdadeira crítica. E se de tempo. Sempre vai achar que tem algo a melhorar. Mas isso é bom. Tenho medo de acertar e nunca mais escrever. Quem sabe o cerne de tudo seja esse: A eterna busca pela perfeição. O desejo de superação pessoal. A necessidade de encontrar a escultura perfeita ou a música definitiva, a fotografia perfeita. A obra que reúna em si a mais pura expressão humana e a mais poética declaração da habilidade de expor a emoção mais sublime. Ou pelo menos a tentativa eterna de realizar essa tarefa.

Quem saberá quando isso ocorrerá?

A genialidade nasce em qualquer lugar. Desistir não é opção. Seja constante. Jamais desista. Escreva.

Até semana que vem.

 
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