Espelho

Era dia. Naquele amanhecer ela despertou. Olhou fixamente a aurora dos seus olhos. Perdeu-se naquele mar profundo. Mar de águas verdes. Sereno mar. Foi puxada. Havia uma correnteza em seu interior. Correnteza acobertada pela superfície. Serena superfície. Mergulhou mais fundo. Perdeu-se na imensidão daquele mar revolto. Submergiu. A superfície mantinha-se serena. Serena superfície. O interior ficara mais profundo. O mergulho tornara-se mais intenso. A correnteza, de tão revolta, era serena. O paradoxo perfeito no seu olhar. Mar de águas claras. O velho chico em forma de íris. Perdeu-se naquela aurora. Aurora dos seus olhos. Olhos que desvendam quando se escondem. Perfeito paradoxo. Emergiu. Ainda era dia. Naquele amanhecer ela despertou. Olhou a superfície. Sorriu. Era a serenidade mais desordenada que já vira. O paradoxo perfeito. Ela não era mais o reflexo. Não o mesmo.

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