Dia Internacional das Mulheres. Feliz dia para quem?


Foto de Miguel Bruna (unsplash)

Querides leitores,

Hoje em especial, venho reverenciar a todas as mulheres, em todas as suas diversidades, pelo nosso dia.

Historicamente, o primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos. As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de NY em 1911 quando 130 operárias morreram carbonizadas em busca de melhores condições de trabalho.

Esse resgate histórico,deixa perceptível que a presente data nada tem a ver com o que nos é passado, pela mídia e publicidade capitalista, que transformou as lutas e reivindicações daquelas mulheres, em algo repleto de glamour e “homenagens” que geram lucro, seguindo o mesmo roteiro banal, ano após ano, dando-nos “Parabéns!” ou nos presenteando com flores, chocolates e etc.

Acontece que: eu sou uma mulher, e não quero ser parabenizada por ter nascido como uma, em uma sociedade patriarcalista, que nos subjuga e oprime dia após dia. Sou também feminista, e tenho plena consciência e percepção, de como o meio publicitário se apropria das nossas pautas, ao ponto de desmerecer nossa luta e o movimento, oferecendo e criando promoções, sorteios, descontos especiais para nós, mulheres.

O mais curioso, e infelizmente, algumas empresas continuam nos oferecendo eletrodomésticos, ou itens semelhantes, alimentando a visão/construção da sociedade em relação à mulher, dona de casa, mãe, cuidadora – e calada, de preferência – que tanto nos estereotipa, como também nos faz odiar nossos corpos com a tal “ditadura da beleza” e suas imagens com corpos perfeitos. Nós sofremos assédios, violências sexuais, domésticas, ganhamos menos que um homem – pelo mesmo trabalho – somos oprimidas, exploradas e assassinadas – sim, o feminicídio é real!

Dessa forma, fica claro perceber que o caminho que precisamos trilhar é longo e árduo, portanto neste dia não nos desejem “Feliz dia” ou nos presenteiem com presentes ou homenagens clichês, o que nós queremos é ser ouvidas, ter melhores condições de trabalho – como as reivindicadas outrora pelas mulheres – queremos nossos direitos civis e também políticos. Que neste dia, representado pela luta, que vocês, homens, arregacem as mangas, nos estendam suas mãos e ajudem a transformar essa realidade tão cruel para nós.


Sobre a Autora:

Aline Amorim é graduada em Gastronomia, Pós-graduanda em História Social e Contemporânea, Feminista Socialista, amante das Letras e adora desenvolver resenhas sob a ótica feminista, além de ser pesquisadora das temáticas Relações de gênero e trabalho nas cozinhas; Alimentação e Feminismo.



Revisão: Júlio César de Oliveira


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