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Philosophus Tavernisticus - Suspensão da Descrença e Paradoxo da Ficção



Suspensão da Descrença

Paradoxo da Ficção

Hoje estou meio sem assunto.

Acabei de ler um livro sobre “O Hobbit”, aquele mesmo do Tolkien.

E de novo um capítulo falando sobre presciência e livre-arbítrio.

Comecei a achar: É perseguição, rs. Mas não vou falar mais disso não. Prometo. Pelo menos por enquanto.

Geralmente passo o domingo pensando o que irei escrever segunda de manhã. E ontem fiquei pensando sobre “Suspensão da Descrença”. Vocês sabem o que é? Não é? Explico:

Suspensão de descrença, suspensão de descrédito, da incredulidade ou ainda "suspensão voluntária da descrença" refere-se à vontade de um leitor ou espectador de aceitar como verdadeiras as premissas de um trabalho de ficção, mesmo que elas sejam fantásticas, impossíveis ou contraditórias. É a suspensão do julgamento em troca da premissa de entretenimento. O termo é tradicionalmente aplicado na literatura, no teatro, e no cinema, embora também possa ser considerado nos videogames.

A ideia encontra-se na introdução do livro Uma história verdadeira, do poeta satírico Luciano de Samósata; após mencionar vários outros autores que contaram mentiras, ele completa dizendo que também é um mentiroso, e pede humildemente ao leitor a sua credulidade.

A expressão foi registada em 1817, pelo poeta inglês Samuel Taylor Coleridge.

Já esbarrei em várias definições, mas como sei que se alguém sai à procura de alguma definição 99% das vezes vai recorrer ao Google e à Wikipédia, então, nem vou aprofundar.

Ok. Acho que estão devidamente munidos para eu iniciar a conversa de hoje.

Se ao assistir a um filme ou série ou ao ler um livro a gente faz esse jogo de “faz de conta”, por que sentimos medo, choramos, mordemos nossos lábios, arregalamos os olhos, etc?

É ficção, o monstro não existe. O ator ou a atriz estão presos por cabos. Mas a gente se contorce.

Essas respostas físicas são responsáveis por inúmeros livros de sucesso, filmes, etc.

Não sei se é uma questão de empatia, ou identificação...

Identificação tem problemas, pois apesar de Luke Skywalker ser órfão, morar com os tios e tudo mais. Ele é filho de um Jedi. Filho de um grande guerreiro que lutou nas Guerras Clônicas. Eu nunca me identifiquei ou me solidarizei ao Luke. Na verdade eu queria viver uma aventura e ter um sabre de luz.

Em Império Contra Ataca o lance de ele ter telecinese me fez querer ser um Jedi, mas isso é outro assunto.

Voltemos à questão da relação “eu sei que é ficção” versus “Nossa estou com medo”.

Será que ir ao cinema assistir filmes de terror é um exercício de autoajuda?

Como se sair do cinema e sentir alívio em não ter um monstro atrás de você ou não viver em uma distopia nos fizesse olhar para nossas vidas com mais satisfação?

Então...

Esse paradoxo – sentir emoções reais medo, alegria, terror, desejo, nojo, etc. mesmo sabendo que aquilo é irreal – tem nome: Paradoxo da Ficção.

É impressionante, não é? Você sabe que sabe que aquilo é mentira, mas tem reações emotivas reais. A pele arrepia; você sente frio na barriga. Mas é tudo mentira e mesmo assim não controla suas reações. Mesmo que alguém fala para você no decorrer do filme ou livro. Você não contém os transbordos emotivos.

Sabendo disso, bons escritores, cineastas, fofoqueiros, etc. conscientemente criam personagens carregados de características que dão estofos físicos e psicológicos aos leitores. Criam uma gama de situações onde podemos, como leitores ou espectadores, prever a reação psicológica de Bilbos, Kareninas, Gandalfs, Romeus, Julietas, Batmans, etc. Entendemos como são os personagens, cenários, tramas, reviravoltas, perfumes, cores que materializamos fisicamente as reações.

Eu acho...

Talvez quando lá no início de Star Wars ao lermos “Há muito tempo em uma galáxia muito, muito distante...” ativamos a suspensão da descrença e o paradoxo da ficção seja palpável de tão sólido.

Muito louco, não é?

Eu acho...

Fica a dica aos escritores e produtores de histórias: Criem narrativas consistentes onde tudo seja detalhado o suficiente para o leitor/espectador materializar mentalmente as peças do jogo que você vai jogar com ele. Conduza-o a esse labirinto de emoções e deixe que a história crie vida.

Talvez isso explique ninguém gostar de adaptações cinematográficas.

O espectador se sente traído porque não condiz com o que ele sentiu ou viu mentalmente.

Eu acho...

De achismo “acho” que por hoje está bom.

Diga aí o que você pensa dessas coisas.

Até semana que vem.

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