Narratologia

Atualizado: Ago 30


A primeira vez que escutei ou li esse termo foi há uns oito anos, quando estava começando a escrever meu primeiro livro: Conspiração Nazi. À época pesquisava sobre ficção, literatura e tudo que se relacionava. Esse estudo das estruturas das narrativas ficcionais ou não ficcionais procura descrever o funcionamento e demonstrar seu mecanismo. Traduzindo: Narratologia é a Gramática dos textos narrativos.

A Narratologia examina o que as criações literárias têm de comum entre si e aquilo que as distingue enquanto narrativas.

Quando notei nas pesquisas que tudo era regido por regras. Acabei por desejar quebrá-las. E fiz um livro que discute, sem pretensão nenhuma, esses modelos.

Bom, houve quem entendeu e se divertiu. Houve quem não gostou. Mas isso que é legal. As quebras de paradigmas não são absolutas, não são unânimes. Eu fiz um livro dentro de outro. Um universo dentro de outro. Que hora ou outra conversam entre si e também com o nosso.

Tudo feito na mais pura e sincera intenção de divertir. Primeiro a mim mesmo. Como cito no livro. Porque eu sou a primeira audiência. E depois ao incauto leitor de minha obra.

Hoje tenho mais experiência com essa seara do conhecimento, mas nada que influencie meu modo de escrever. Ainda quero quebrar regras, mas, como sempre falo para meus alunos: Sem menosprezar quem hipoteticamente leia meus livros. Quero surpreender com elementos novos de estrutura, tramas, reviravoltas. Todavia, sem esconder informações e lá no fim surgir com uma resolução Deus Ex Machina.

Então, terminei o livro, publiquei e deu certo. Acabei de publicar a continuação e ainda estou pensando se publico a terceira parte ou se amplio o universo. Vamos ver como vai ser.

Nesse período, em que estudava e pesquisava para o livro, pensei em outra coisa. Lembrando que nada que fiz é original. Essas ideias que tive, outras pessoas já tiveram, mas acho interessante contar a experiência. Voltando... A outra ideia que tive e que acabou virando meu livro ”Cenas de um crime”.

A princípio fiquei preocupado se teria condições de criar outras histórias, além das que já tinha, e comecei oito “protolivros”. Ideias “plantadas”, como definiu George Martin, para ver, se regadas, como cresceriam. Aos poucos quis dar um elemento que unisse a todas: uma cidade, ou época, um crime, uma pessoa. Qualquer coisa que unisse a todos os personagens, mas que ao mesmo tempo não tivesse nada a ver com eles no início das histórias. Seriam eventos diferentes que em determinado momento se ligariam, mas escolhas feitas pelos personagens poderiam fazer com que confluíssem ou não. A ideia era começar oito jornadas distintas que talvez se encontrassem. Escrever oito livros independentes que “conversam” entre si.

Engraçado que aos poucos fui desenvolvendo situações onde tudo confluía. Virou uma planta que ao jogar a semente sequer imaginasse qual fruto seria. E muitos galhos, ramos, raízes foram aparecendo e o universo do Conspiração Nazi se chocou com a ideia do Cenas e tudo virou uma loucura.

Provei a mim mesmo que é possível criar indefinidamente. A única regra é ler muito, aumentar muito nosso repertório. E se preocupar mais com regras em relação aos horários que você vai escrever que achar que vai ficar sem ideias. Ainda estudo Narratologia. Ainda tenho muita coisa para aprender, conhecer. E sempre acreditar que podemos expandir qualquer universo literário. A começar pelos nossos próprios limites.

Até mais!

Guto Domingues

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