O Natal da minha janela

Estamos no meio do mês de dezembro de 2020, um ano que ficará marcado em nossas vidas por diversas formas antes inimagináveis.

No inicio deste ano fomos surpreendidos pela vida, por uma daquelas ironias que só assistimos em filmes de ficção. Um vírus com potencial fatal atingiu o mundo e começou a provocar o caos em países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Esse vírus se mostrou mortal para várias pessoas, não escolhendo cor, etnia, sexualidade e condição social. Levou-as de forma rápida e sofrida, não permitindo nem mesmo o luto e a despedida. Já para outras pessoas, a doença se mostrou branda, passageira e invisível.

Sim! Esse ano foi diferente de várias formas, e uma delas é que tivemos de nos trancar em nossas casas e criarmos um mundo dentro de nós mesmos. Tivemos que nos reinventar, de forma criativa e em alguns momentos improvisada.

Esse ano também foi marcado pela convivência contínua com nossos filhos e parceiros, uma rotina diferente e mais unida do que a que estávamos acostumados anteriormente, com a vida moderna acelerada.

A vida nos impôs que nem sempre somos nós que fazemos certas escolhas.

E no meio disso tudo tivemos que apreender a entender melhor o outro, nos tornamos mais solidários, e até mesmo começamos a sentir falta daquele que muitas vezes não tínhamos tempo sequer para ligar antes. Começamos a querer ter por perto aquele que muitas vezes ficou distante.

Esse ano nos tirou o sono, principalmente ao ler nos jornais sobre as mortes, o aumento de desemprego, as vacinas que se tornaram uma disputa política. Isso tudo em um ano em que a única coisa que precisávamos seria de paz e união.

Mas esse ano, de uma forma um pouco mágica, também nos concedeu sorrisos e momentos com nossos filhos, e a percepção que devemos aproveitar o hoje.

Vivemos também a despedida antecipada de muitas pessoas e nosso céu hoje está com mais estrelas amigas do que tínhamos antes.

Sim, esse foi o meu ano, o nosso ano, o ano do mundo inteiro.

Esse está sendo o natal da minha janela.

Sobre a autora:

Cláudia Zambrana é escritora, advogada, estudante de psicologia, mãe de três e casada. Gosta de escrever sobre os mais diversos temas, sempre com uma história diferente e afetiva, é categórica em afirmar que nada acontece por acaso. Tem uma visão transparente e livre para falar o que pensa e o que sente.


Instagram: @claudiazambrana.l

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