Philosophus Tavernisticus

Não tenho certeza de muitas coisas, com exceção de uma: Não quero me tornar um Coaching Literário ou vendedor de cursos mágicos onde você irá aprender a explorar todas as suas potencialidades e ficar milionário em seis meses.

Bom, não vou falar mal dessa classe de operários. Acalme-se. Às segundas-feiras, geralmente eu sento e escrevo. Só isso. Nem sei classificar esses textos, sinceramente. Mas uma coisa eu garanto, não há a intenção de ditar regras. A regra é não ter regra. Vichi. Olha como é estranho. A gente tenta despadronizar e cria um padrão para organizar o caos. Caos organizado já não é mais caos. Aff... Deixa para lá...

Vamos ao que interessa: Dicas literárias para segundas-feiras chuvosas como a de hoje.

Eu não sei se já falei sobre isso, mas ensinar a sentir é como tentar explicar, descrever o gosto da maçã, sem nunca - o aprendiz - ter comido maçã. Em um livro descrevemos nosso mundo primário com facilidade. Chamo de mundo primário esse que percebemos visualmente, auditivamente, olfativamente. Enfim, esse mundo que percebemos através dos sentidos. Mas o efeito em cada um é diferente, daí o problema do gosto da maçã. A isso chamo de mundo secundário. Será que vejo o vermelho como o outro vê? Todas as charnecas são iguais? E as paisagens de praia? Há penhascos? Falésias? Fozes de rios imensos ou riachos? Picância varia de grau de pessoa para pessoa? E café sem açúcar? Há que ame e há quem odeie. Eu acho estranho tentar encaixar tudo em modelos disso ou daquilo. Talvez uma descrição de cena de batalha medieval seja angustiante para um e libertadora para outro. Eu pelo menos não lutaria de armadura, acho sufocante e limita alguns movimentos. Só é bonito em gravuras, filmes, etc. Ou n’aquela descrição de livro de fantasia medieval. Reluzente, ofuscante, resplandecente, radiante, etc. São palavras que descrevem o poder, o brilho cegante do metal polido e forjado para batalha. Para mim... Pesada, sufocante e desnecessária. O maluco cai do cavalo e, meia hora para levantar, igual a uma tartaruga virada. Nem quero usar. Conan não usa armadura. Sunguinha de pele e uma espada. Armadura é Nutella. Coisa de quem tem medo. Vichi, sem chance. Imagine os abdomens sarados dos espartanos (sim! Aqueles do filme 300 ou da HQ para os puristas) escondidos sob o aço de uma armadura. Todo o estudo de anatomia do desenhista jogado fora. Armadura também me lembra do Robocop. O novo até que é mais legal. Mas aquele dos anos 80... Nossa... Parecia dançar Break.

Acho que vocês entenderam. Há um relativismo nesse mundo secundário. O que é legal para um não é para o outro.

Em meus livros eu escrevo para mim. Talvez não funcione para os outros. Mas não é possível também que não haja no mundo uma meia dúzia de pessoas que não tenham referências parecidas com as minhas. Ou até mesmo gostos parecidos. Por isso gosto de cultura pop. Ela une as pessoas. Festas populares, músicas, roupas, modas, filmes, séries. Isso que nos rodeia e não é a Força de Stars Wars e nem o Mana dos Polinésios. Apesar do conceito de ambos corresponderem à emanação de força espiritual de um grupo e que contribui para uni-lo, não é isso. Talvez seja... Porque há realmente essa energia presente na produção artística humana. Ou qualquer produção. Mas não se resume à alma. Penso que isso seja a energia que impulsiona a alma. Ela não é extrínseca, ela é intrínseca.

Esse postulado filosófico tavernístico terá fim.

Penso que há uma fagulha que desperta a apreciação de um livro e nos aproxima uns dos outros. Há quem chame isso de “Calorzinho no Peito”. Eu chamo de “Granada para Matar Mosquito”. Ahn?! Então... Isso seria o conjunto de elementos socioculturais, históricos, antropológicos, filosóficos, artísticos encontrados em um livro ou filme ou qualquer coisa que provoca um “arregalar de olhos”. Tipo o sabre de luz. O George Lucas vai lá e pega Samurai, Faroeste, Tecnologia, Idade Média e joga na sua cara. Eu pirei. Tem gente que não. Mas eu pirei.

Então é isso.

Até mais.

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