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Philosophus Tavernisticus - Onisciência versus Livre-Arbítrio



Onisciência versus Livre-Arbítrio.


Vou percorrer um terreno pantanoso.

As considerações, mesmo que ponderadas há muitos dias, esbarrarão na superfície do tema, não irão além do verniz do assunto.

De modo mais lógico e óbvio possível, perguntas milenares não serão respondidas em uma coluna semanal. Ainda mais nessa emulação de diálogo regado com bebidas de alto teor alcoólico.

Sendo assim, não busque respostas. Encontrará, aqui, apenas mais perguntas.

A provocação que lhes apresento é: Será a Onisciência compatível com o Livre-Arbítrio?

Se nós acreditarmos que Deus nos abençoou com o Livre-Arbítrio, então é possível que Deus não saiba quais atitudes tomaremos ou quais as escolhas que teremos em nossa caminhada pelo plano material?

De imediato, responderemos que Ele a tudo vê. Deus é onipotente, tudo pode; Deus é onibenevolente, perfeitamente bom; Ele é a Misericórdia, Ele é o Amor; Ele a tudo perdoa; e, acima de tudo, o tempo todo, nós falamos que Ele é Onisciente. E é aí que reside o problema.

Como Deus sabe tudo, nossas escolhas, nosso futuro, nossas atitudes, etc. Então, estamos presos ao destino e não existe Livre-Arbítrio, pois todas as nossas escolhas já estão estabelecidas.

Somos apenas engrenagens na Roda do Tempo.

Cada qual iludido em sua função na tarefa que acredita que escolheu. Ou não?

Calma.

Onde surgiu isso?

Esse texto tem raízes em eventos pessoais e em dois livros que eu li recentemente: Matrix – Bem-vindo ao Deserto do Real e Watchmen e a Filosofia.

E o que uniu isso: Dr. Manhattan, Neo e minhas questões pessoais?

De certa forma, apenas uma palavra: Presciência. E a isso se some: predestinação, profecias, previsões, etc.

Quando você se situa no tempo como indivíduo, as noções de morte, futuro, amanhã, depois, porvir, etc; podem lhe fazer pensar que um dos mais incríveis poderes da ficção é a capacidade de prever o futuro. Isso é explorado desde a Bíblia, textos gregos, filmes como De Volta para o Futuro, Star Wars, Star Trek, etc.

E viajar no tempo? Viajar fisicamente no tempo? Que loucura se nós pudéssemos...

Opa! Deixa-me voltar para o que interessa. Só falei de viagem física no tempo para lembrar o conceito de linha temporal.

O que me fez pensar em tudo isso é a Profecia!

Ah! Essa palavra me causa arrepios.

Watchmen!

Lá em Marte.

E se Laurie não sobe as escadas do castelo de Dr. Manhattan? A capacidade de ver o futuro dele é questionada? A profecia que ele fez para o futuro de Laurie – subir as escadas – caso ela não suba, o que acontece? Ele falha? O Dom de presciência não funciona? Ele quase uma entidade divina é passível de erro?

E Neo em Matrix?

Ele derrubaria o vaso, caso a Oráculo, não lhe alertasse? Não pronunciasse a Profecia?

O indivíduo é causa do cumprimento da Profecia? E se ele não escolher os caminhos para que a Profecia se cumpra?

E se ele escolhe omitir as ações que levariam para a realização da Profecia?

Nesse caso, o uso do Livre-Arbítrio se torna a prova de que o Livre-Arbítrio existe. A falha da profecia prova a livre escolha do indivíduo que é afetado por ela.

Mas aqui os exemplos não são bons para o que pretendo.

Quero ir, além disso, além desses exemplos refutáveis.

E se Deus é onisciente e onipresente e onipotente e tudo que podemos utilizar para lhe dar todos os atributos absolutos que lhe são aferidos.

Se Deus é, o Livre-Arbítrio não é.

Pois se há apenas uma linha temporal, e estamos atrelados a ela, não há Livre-Arbítrio. A não ser que Deus esteja fora do tempo e veja e conheça todas as possibilidades temporais, e, assim, conheça todas as linhas que seguirão a partir dos momentos de nossas escolhas.

Engraçado que esse problema já encontrou essa mesma resposta.

A compatibilidade entre Livre-Arbítrio e Onisciência divina só ocorre com Deus existindo fora do tempo.

Ufa.

Sabe onde um exemplo disso é muito bom? No filme: Os Agentes do Destino.

Filme baseado em um conto de Philip K. Dick.

Assista. Recomendo.

Então... Neo encontrará problemas e espero que sejam respondidos em Matrix 4.

Dr. Manhattan teve problemas. Ele tem “ares” de divindade, mas o roteiro dos quadrinhos, nos mostra que ele não tem ampla visão do futuro e isso é até explicado pelo vilão da história. Adrian Veidt teria nublado a visão do Dr. Manhattan com partículas de Táquion.

Em Star Wars, Yoda disse que o futuro está em constante movimento e isso se aproxima ao meu conceito de previsão, presciência e Livre-Arbítrio.

Nossa. Acabei de me lembrar dos precogs de Minority Report, outro filme baseado em conto de Philip K. Dick.

Voltando ao caso de Neo.

No fim do terceiro filme há uma conversa entre o Arquiteto e a Oráculo que nos deixa ainda com mais questões – não vou entrar nessa porta, senão... –.

E nem vou falar da outra conversa que o Arquiteto teve com Neo e lhe disse que ele era apenas mais um “Escolhido”, a sexta versão ou reencarnação.

Dessa vez vou deixar uma resposta, mesmo que ela seja baseada em minha opinião apenas.

Não há compatibilidade entre Onisciência e Livre-Arbítrio, "de certo ponto de vista" (Obrigado, Obi-Wan).

Caso exista Livre-Arbítrio, Deus está fora do tempo. Assim ele conhece todas as possibilidades temporais consequentes de nossas escolhas e sim a Onisciência de Deus é possível.

Em um mundo onde haja apenas uma linha temporal, não há Livre-Arbítrio e a Onisciência de Deus nos prende ao nosso destino. Somos predestinados e nos resta apenas deixar que as profecias se cumpram sem questionamentos.

Bebam à vontade.

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3 comentários


gustavo cavalheiro
gustavo cavalheiro
05 de mai. de 2021

Essa é sempre uma ótima reflexão que me pega de tempos em tempos, nessa trilha já me levou a diversos caminhos, os que vou destacar de antemão, são os contos indianos (muito extensos e difícil de pronunciar e não sou bom com nomes par escrever corretamente os mesmo, por isso me resumirei, e por sua vez ainda se entra na temática de matrix vendo sua mistura filosófica seja por acaso ou proposital acaba convergindo na mesma linha), e o caibalion, onde essa linha de “criador” me deu uma luz revigorante para um entendimento mais amplo sobre nossa incapacidade de pensar em algo superior ao humano.

Os contos antigos nos dão uma espécie de norte para nos guiar, seja em conflitos…

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Alladin
Alladin
05 de mai. de 2021

Muito bom . uma reflexão incrível

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Muito bom texto meu caro. Um convite irrecusável a reflexão! Parabéns!!

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