Singularidades

Era mais um dia, a nostalgia batera mais uma vez. Houve um tempo, em que ela podia sentir o quanto estava viva, sentir tudo e nada ao mesmo tempo, e como era bom! As lembranças vinham quebrando todas as barreiras e era impossível ignorá-las. Senti-las era como mergulhar no doce desejo de revivê-las.

Lembrara de quando havia ganhado seus primeiros brinquedos, da ansiedade que tomara conta da pequena criança. Um misto de alegria e empolgação, junto a sensação de que poderia criar um novo universo só dela. Lembrara também de quando vira o mar pela primeira vez e sua linda imensidão azul. Os seus cabelos eram guiados pelos ventos com frescor de liberdade.

Ela pôde conhecer os mais variados sentimentos, desde a mais pura alegria, até o adeus que não queria ser dito. O seu coração era carregado dos sentimentos bons, apesar da dor ter feito parte da sua história. Ela se lembrara do quanto precisou ser forte para que conseguisse enfrentar tudo. Hoje, era somente gratidão.

Quando pensa em seu passado, sente saudades de tudo que já viveu, mas sabe que ainda existem belezas a serem descobertas, ainda há o que viver e isso a inspira. Poder sentir a singularidade da sua caminhada a motiva a sorrir e agradecer mais pelas coisas que vive.

Ana fechou seu álbum de fotografias e olhou para o quintal de sua casa pela janela, seus netos brincavam lá fora com o avô, Francisco, e sentiu-se completa. O seu sorriso não a deixava mentir, o seu presente tinha seus próprios encantos.

Sentiu o coração transbordar ao receber um abraço aconchegante de sua filha. Descobrir-se aos setenta anos tem sido sua missão e saber que se sentia feliz e completa por ter uma família maravilhosa, já era o bastante. A serenidade de quem havia encaminhado tudo para seu devido lugar e que havia desfrutado da sua vida do melhor jeito, lhe trazia paz. Era apenas uma nova fase e ainda há o que viver.

Sobre a Autora:

Natural de Minas Gerais e nascida em julho de 2000, Sempre gostou de ler e escrever. Talento literário revelado pela Escola Professor Jairo Grossi - Caratinga, sua primeira publicação foi feita em 2018, quando dois textos (um em versos e outro em prosa) foram publicados em uma antologia organizada pela escola com textos dos alunos do ensino médio. Atualmente, administro uma página no instagram (@poesias.por.amor) onde posta escritos e resenhas.

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